Portugal vive esta quinta-feira um dia de fortes perturbações nos serviços públicos, devido à greve nacional que envolve trabalhadores da Saúde e da Administração Pública. Hospitais, centros de saúde, escolas e repartições estão a funcionar com serviços mínimos, num protesto que visa exigir melhores condições salariais e a valorização das carreiras.
A paralisação foi convocada por várias estruturas sindicais, entre elas o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP) e a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS), que falam em “um grito de revolta” face ao que consideram ser o “arrastar da degradação dos serviços públicos e das condições de trabalho”.
Saúde com fortes constrangimentos
No setor da saúde, verificam-se atrasos e cancelamentos em consultas e exames, bem como limitações em alguns blocos operatórios. O Sindicato dos Trabalhadores dos Serviços de Saúde alerta para “escassez de profissionais”, “turnos exaustivos” e “salários desajustados à responsabilidade das funções”. Os profissionais exigem a contratação de mais pessoal, a revisão das carreiras e a reposição de pontos para progressão remuneratória.
Escolas e serviços administrativos afetados
Na educação, a adesão à greve é também significativa entre o pessoal não docente. Há escolas com funcionamento condicionado e outras de portas fechadas, por falta de assistentes operacionais e técnicos administrativos. Os sindicatos reivindicam aumentos salariais intercalados de acordo com a inflação e a criação de um cartão de refeição no valor de 12 euros diários, isento de tributação.
Nos restantes serviços do Estado, como autarquias, repartições de finanças e balcões de atendimento público, registam-se igualmente falhas no atendimento.
“Primeiro sinal de alerta” ao Governo
As estruturas sindicais garantem que esta greve “é apenas o início de um ciclo de luta”, caso o Governo não avance com medidas concretas para travar a perda de poder de compra e responder à desmotivação generalizada entre os trabalhadores do setor público.
O Governo ainda não reagiu oficialmente à paralisação, mas fontes do Ministério da Presidência admitem estar a acompanhar “com atenção” o impacto da greve e reiteram “abertura ao diálogo”.
Está prevista nova paralisação para sexta-feira, com abrangência a outros setores do Estado, podendo alargar o protesto a todo o país.
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