O antigo presidente francês Nicolas Sarkozy, de 70 anos, já está a cumprir a sua pena de cinco anos de prisão na cadeia de La Santé, em Paris, numa ala especial e sob vigilância permanente de dois agentes de segurança, confirmou o ministro do Interior francês, Laurent Nuñes.
“Ele é obviamente um cidadão como qualquer outro, mas há ameaças mais significativas contra o ex-presidente da República. A decisão foi tomada e implementada imediatamente”, explicou Nuñes à CNews e à Europe 1.
O ministro acrescentou que o sistema de proteção, habitual para ex-chefes de Estado franceses, foi mantido mesmo após a entrada de Sarkozy na prisão, e permanecerá “enquanto for considerado útil”.
Cela individual e condições especiais
Segundo a imprensa francesa, Sarkozy foi colocado numa cela individual de nove metros quadrados na chamada “ala VIP” da prisão de La Santé, reservada a reclusos sob ameaça ou em risco excecional, como políticos, ex-polícias e antigos membros de grupos armados.
A cela situa-se no andar superior da unidade e dispõe de instalações especiais, incluindo casa de banho com chuveiro, secretária, telefone, cama, fogão e uma pequena televisão.
De acordo com a BBC, o ex-presidente tem ainda acesso controlado à informação exterior, pode receber visitas da família, enviar e receber correspondência e sair para exercício físico durante uma hora por dia, num pátio separado dos restantes presos.
Um caso sem precedentes
Sarkozy é o primeiro ex-chefe de Estado de França e da União Europeia a ser efetivamente preso. Foi condenado por financiamento ilegal da campanha presidencial de 2007, ao permitir que dois conselheiros do Ministério do Interior negociassem com o regime líbio de Muammar Kadhafi.
Depois de se entregar voluntariamente na prisão na terça-feira, o antigo presidente apresentou um pedido de libertação, que está agora a ser analisado pela justiça. O tribunal dispõe de dois meses para decidir, embora a decisão possa ser conhecida antes desse prazo.
Sarkozy, que liderou a França entre 2007 e 2012, insiste na sua inocência e afirma ser vítima de “um escândalo judicial”.
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