As Forças Armadas ucranianas confirmaram esta quarta-feira ter realizado um ataque “bem-sucedido” com mísseis de longo alcance contra uma fábrica militar na região russa de Bryansk, que produz explosivos e componentes utilizados em munições e mísseis.
“A fábrica química de Bryansk é uma instalação fundamental do complexo militar-industrial do Estado agressor”, afirmaram as forças ucranianas na rede social X.
“Produz pólvora, explosivos e componentes utilizados em munições e mísseis com que o inimigo bombardeia o território da Ucrânia.”
Segundo Kiev, o ataque penetrou o sistema de defesa aérea russo e atingiu diretamente as instalações industriais. Este foi o primeiro ataque confirmado com mísseis britânicos Storm Shadow contra um alvo dentro da Rússia, marcando um novo escalão na ofensiva ucraniana.
Reação russa e retaliação imediata
O Kremlin não comentou diretamente o ataque, mas alertou o Ocidente para as “consequências perigosas” de fornecer armamento de longo alcance a Kiev.
Poucas horas depois, a Rússia respondeu com uma vaga de ataques de drones e mísseis sobre várias regiões ucranianas, incluindo Kiev e Dnipropetrovsk, provocando pelo menos seis mortos, entre eles duas crianças, segundo Volodymyr Zelensky.
Foram ainda registados cortes de energia e ataques a centrais térmicas, agravando a crise energética no país.
Storm Shadow: o “peso” de um novo tipo de ataque
O míssil Storm Shadow, fornecido pelo Reino Unido, tem um alcance superior a 250 quilómetros e permite ataques de precisão contra alvos estratégicos.
Até agora, a Ucrânia apenas tinha utilizado mísseis norte-americanos Atacms dentro do território russo, com autorização do então presidente Joe Biden, o que já havia provocado reação violenta de Moscovo.
O ataque com Storm Shadows ocorreu no mesmo dia em que o primeiro-ministro britânico e outros líderes europeus prometeram “aumentar a pressão sobre a economia e a indústria de defesa russas”, até que Vladimir Putin “esteja pronto para fazer a paz”.
Com esta operação, Kiev reforça a sua estratégia de atingir a infraestrutura militar russa fora das zonas de combate diretas, numa altura em que a guerra entra num novo e imprevisível capítulo de escalada.
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