OMS alerta para “catástrofe sanitária e humanitária” em Gaza - Antena Web Notícias


2025-10-22 17:13 por Rita Saraiva

A Faixa de Gaza enfrenta uma “catástrofe sanitária e humanitária” que poderá durar vários anos, alertou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, em entrevista à BBC.
O responsável frisou que é necessário um aumento urgente e massivo da ajuda internacional para responder às necessidades da população.
“A população de Gaza enfrenta fome, ferimentos graves, um sistema de saúde em colapso e surtos de doenças agravados pela destruição das infraestruturas de água e saneamento”, afirmou Tedros Ghebreyesus.
“Além disso, há acesso restrito à ajuda humanitária. Esta é uma combinação fatal que torna a situação indescritível.”
Segundo o líder da OMS, a fome combinada com o trauma psicológico generalizado está a criar “uma crise para as gerações futuras”.

A ajuda que não chega


De acordo com dados da ONU, desde 10 de outubro entraram em Gaza 6.700 toneladas de alimentos, muito abaixo da meta de 2.000 toneladas diárias. Tedros Ghebreyesus salientou que 600 camiões de ajuda humanitária deveriam entrar todos os dias, mas a média situa-se entre 200 e 300.
O responsável apelou a Israel para que “desvincule a ajuda humanitária do conflito”, frisando que “a ajuda não deve ser transformada em arma”.
“Deve haver acesso total, sem condições. Não esperava que houvesse restrições adicionais, especialmente depois da libertação dos reféns vivos e da transferência da maioria dos restos mortais”, disse.
O Hamas libertou recentemente 20 reféns israelitas em troca de quase dois mil prisioneiros palestinianos, mas apenas 15 dos 28 corpos prometidos foram entregues.
A OMS pediu ainda a reabertura de todas as travessias fronteiriças para permitir uma resposta humanitária eficaz e o regresso das equipas médicas internacionais a Gaza.
“Não é possível ter uma resposta alargada sem aqueles que podem ajudar no terreno”, afirmou.
Sistema de saúde em colapso
Tedros denunciou também o bloqueio de materiais médicos e estruturais na fronteira, alegadamente por motivos de “dupla utilização militar”.
“Se vai construir um hospital de campanha, precisa de lona e pilares. Se os pilares forem removidos, não será possível ter uma tenda”, explicou.
A ONU estima que a reconstrução de Gaza custe mais de 60 mil milhões de euros, dos quais cerca de 10% seriam necessários apenas para o setor da saúde.
“A paz é o melhor remédio”
O diretor-geral da OMS defendeu que a única solução duradoura é o cessar-fogo e a paz, mas alertou que o acordo atual “é muito frágil”.
“Há muito tempo que dizemos que a paz é o melhor remédio. Mas algumas pessoas morreram mesmo depois do cessar-fogo, porque ele foi quebrado várias vezes”, lamentou.
“O mais triste é que muitas pessoas estavam a celebrar nas ruas, felizes com o acordo de paz — e algumas dessas mesmas pessoas estão agora mortas.”
O cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos faz parte de um plano de paz em 20 pontos, que inclui o aumento da entrada de ajuda e a distribuição de mantimentos “sem interferência de ambos os lados”.
Apesar disso, Tedros Adhanom Ghebreyesus reforçou que o apoio atual está muito aquém do necessário para restaurar o sistema de saúde e aliviar o sofrimento da população.

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Palavras-chave: Faixa de Gaza; OMS; Tedros Adhanom Ghebreyesus; crise humanitária; ajuda internacional; Israel; Hamas; cessar-fogo; ONU; saúde pública; conflito no Médio Oriente.

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