Silêncio que dói: mais de 60% das vítimas de bullying não denunciam o agressor, alerta Ordem dos Psicólogos - Antena Web Notícias


2025-10-20 13:18 por Rita Saraiva

Mais de 60% das vítimas de bullying em Portugal não denunciam o agressor, revela a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP).
Entre as vítimas que decidem denunciar, fazem apenas ao fim de 13 meses, em média — um silêncio prolongado que agrava o sofrimento e dificulta a intervenção.
De acordo com a OPP, “os rapazes apresentam maior probabilidade de ser vítimas de bullying físico, verbal e/ou de cyberbullying, enquanto as raparigas apresentam maior probabilidade de serem alvo de bullying socioemocional”.
O alerta surge no Dia Mundial de Combate ao Bullying, assinalado esta segunda-feira, data em que a Ordem lança brochuras dirigidas a pais, mães e cuidadores, reforçando a importância de conversar com crianças e jovens sobre estas situações, “numa altura em que o cyberbullying é uma preocupação crescente”.

Vergonha e medo impedem vítimas de pedir ajuda


A OPP destaca que a maioria das vítimas não procura ajuda dos adultos mais próximos, movidas pela vergonha do que possam pensar ou pelo medo de perderem o acesso às tecnologias digitais.
“Apesar de ser mais frequente em ambiente escolar e entre crianças e adolescentes, qualquer pessoa pode ser alvo de comportamentos de bullying”, alerta a Ordem. “Pode acontecer em qualquer local, a qualquer hora, de forma persistente.”
Uma pesquisa global publicada em 2020 concluiu que uma em cada três crianças no mundo é vítima de bullying. Em Portugal, quase 50% dos jovens afirmam estar envolvidos em comportamentos de bullying — como vítimas, agressores ou testemunhas — pelo menos uma vez por mês.

"O bullying não faz parte de crescer”


A OPP é clara: “O bullying não faz parte de crescer” e “não torna as crianças mais fortes”.
“Nenhuma forma de bullying é normal ou aceitável. Preparar uma criança para a vida não é normalizar a violência, mas educar para o respeito, igualdade, não-violência e não discriminação”, sublinha a instituição.
A Ordem recorda ainda que “a partir do momento em que a criança ou o adolescente tem um telemóvel, computador ou tablet sem supervisão, está em risco”.

Mitos que precisam de ser quebrados


A OPP lança um conjunto de mitos e factos para esclarecer o fenómeno:
• Mito: O bullying acaba por se resolver, é uma fase.
Fato: É um comportamento repetido — ignorá-lo só o reforça.
• Mito: Só acontece na escola.
Fato: Pode ocorrer em casa, nos transportes ou online.
• Mito: O ciberbullying é inofensivo.
Fato: É grave e pode atingir uma grande audiência.
• Mito: Denunciar só piora as coisas.
Fato: Denunciar é essencial para travar o bullying e procurar ajuda é um ato de coragem.

Estratégias para enfrentar o bullying


A Ordem dos Psicólogos aconselha as vítimas a:
• Agir com coragem, mesmo quando sentem medo.
• Andar com amigos, pois “dois são melhor do que um”.
• Falar com um adulto de confiança, porque “contar o que se passa não é fazer queixinhas”.

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