Casos de pais agredidos pelos filhos aumentam 27% em três anos, alerta APAV - Antena Web Notícias
2025-10-20 13:01 por Rita Saraiva
O número de progenitores agredidos pelos filhos e que recorreram à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) aumentou mais de 27% entre 2022 e 2024, totalizando 2.813 pessoas, o que equivale a uma média de 2,6 casos por dia.
De acordo com os dados da APAV sobre Filhos/as que agridem os Pais/As Mães, a que a agência Lusa teve acesso, foram registados 815 casos em 2022, 962 em 2023 e 1.036 em 2024.
O aumento global de 27,1% traduz-se em 78 vítimas por mês e 18 por semana.
Em declarações à Lusa, Cynthia Silva, criminóloga da APAV, explicou que o aumento “pode significar que há mais vítimas a procurarem o apoio da APAV”, o que considera “um aspeto positivo”, mas alerta que muitos casos continuam em silêncio.
“Percebemos que, por exemplo, em 48% das situações não há apresentação de queixa, o que significa que, apesar de poder haver maior procura de apoio, ainda há muitas situações que se mantêm silenciadas no que toca à apresentação de queixa junto às autoridades”, apontou.
A criminóloga explicou que esse silêncio pode estar ligado ao facto de os crimes ocorrerem sobretudo em contexto de violência doméstica, em que agressor e vítima partilham a mesma casa.
“Os motivos mais comuns para a não procura de apoio ou mesmo para a falta de queixa têm muito a ver com estas questões da vergonha, da culpa, a vergonha de dizer que estão a ser vitimadas ou vitimados pelos próprios filhos ou filhas”, referiu.
Segundo Cynthia Silva, há ainda medo de retaliações ou das consequências legais que o pedido de ajuda possa ter para o agressor.
“Apesar da violência de que são vítimas, muitos progenitores continuam a querer proteger as próprias pessoas infratoras, porque se trata do filho ou da filha”, sublinhou.
Outros fatores incluem o desejo de manter uma imagem de harmonia familiar ou situações de dependência emocional ou financeira.
A criminóloga destacou também a existência de “vitimação continuada”, com muitas vítimas a viverem dois a três anos de agressões antes de procurarem ajuda profissional.
“Uma grande parte das pessoas que procuram a ajuda da APAV pela primeira vez são vítimas há dois ou três anos, o que significa que, às vezes, as vítimas demoram algum tempo até conseguir procurar algum tipo de ajuda mais profissional”, afirmou.
Os dados mostram ainda que 96,8% dos casos envolvem agressões de um único filho e 3,2% de mais do que um filho.
As vítimas são maioritariamente mulheres (79,7%), com 65 anos ou mais (58,3%), enquanto os agressores são sobretudo homens (69%), entre os 18 e os 64 anos (62,8%).
A violência doméstica representa 82,3% dos 5.654 crimes ou formas de violência registados pela APAV neste contexto.
Cynthia Silva defendeu a criação de mais estruturas de acolhimento para estas vítimas, embora reconheça a dificuldade de as convencer a sair das suas casas.
“Às vezes também existe a dificuldade de conseguir que as vítimas queiram sair das suas residências”, referiu.
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