CNI: 74% dos industriais avaliam a infraestrutura do Norte do Brasil como regular, má ou péssima - Antena Web Notícias


2025-10-17 17:12 por Cristina Sena Agência do Rádio – Brasil

Sete em cada dez empresários industriais consideram que a infraestrutura da Região Norte do Brasil é regular, má ou péssima, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O índice, que atinge 74%, está muito acima da média nacional de 45%.
Os dados fazem parte do estudo “Panorama da Infraestrutura – Região Norte”, apresentado esta quarta-feira (15) durante o evento Pré-COP30: O Papel do Setor Privado na Agenda do Clima, realizado em Brasília (DF).
O levantamento reúne informações sobre transportes, energia, saneamento e telecomunicações, além de apresentar propostas para melhorar a logística e a competitividade dos sete estados da região.

Norte é estratégico, mas enfrenta défice estrutural


O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que a Região Norte tem papel estratégico para o desenvolvimento sustentável do Brasil, devido à sua grande extensão territorial, biodiversidade e abundância de recursos naturais. No entanto, o défice de infraestrutura continua a travar o crescimento económico.
“As deficiências nas rodovias, a baixa integração energética, os entraves no transporte hidroviário e as limitações no acesso a serviços essenciais impactam a qualidade de vida e aumentam os custos logísticos, desestimulando investimentos”, afirmou.
“Fortalecer a infraestrutura da região, com respeito aos marcos legais e ambientais, é condição indispensável para atrair investimentos e estimular o crescimento industrial”, acrescentou.
O especialista em Políticas e Indústria da CNI, Ramon Cunha, afirmou que o estudo pretende orientar políticas de desenvolvimento regional:
“A expectativa é que o trabalho sirva como instrumento para que a sociedade, investidores e governos priorizem projetos de maior impacto para o setor industrial. Isso é fundamental para gerar emprego, rendimento e desenvolvimento local.”

Obestaculos e obras prioritárias


O estudo mostra que o Norte enfrenta obstáculos logísticos e estruturais que comprometem a ligação entre os seus polos produtivos. Entre os principais problemas estão as rodovias em mau estado, a quase inexistência de ferrovias e as hidrovias subaproveitadas, devido à falta de investimentos em dragagem, sinalização e interligações modais.
As obras prioritárias incluem:
• Ampliação da Hidrovia Araguaia-Tocantins, com o derrocamento do Pedral do Lourenço;
• Exploração de petróleo e gás na Margem Equatorial, nas bacias da Foz do Amazonas e Pará-Maranhão;
• Conclusão da ponte sobre o Rio Xingu, na Transamazónica;
• Pavimentação do trecho central da BR-319 (Porto Velho–Manaus);
• Implantação da Ferrogrão (EF-170).
“Se bem conduzidos, esses projetos podem integrar o interior da região aos mercados nacional e internacional, gerar emprego e garantir segurança energética ao país”, afirmou Alban.

Energia e saneamento em situação crítica


De acordo com o levantamento, a Região Norte apresenta o pior desempenho do país em saneamento básico. Apenas 61% da população é abastecida com água tratada e 23% têm acesso à rede de esgotos — o índice mais baixo do Brasil.
As perdas na distribuição de água chegam a 50%, acima da média nacional de 40%. Apenas Tocantins (31%) e Rondónia (37%) têm índices abaixo da média. Mesmo Roraima, o estado com melhor desempenho regional, atinge apenas 66% de cobertura de esgoto.
O défice estrutural afeta a instalação de novos empreendimentos e reduz a qualidade de vida da população.
Em energia, o estudo destaca como avanço a ligação de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN), que ajuda a reduzir o isolamento energético da região.

Obras paradas e investimentos insuficientes


Em 2024, os Ministérios dos Transportes e de Portos e Aeroportos autorizaram 13,7 mil milhões de reais em investimentos, dos quais 3,6 mil milhões foram destinados ao Norte. No entanto, o Tribunal de Contas da União (TCU) aponta que 58% das obras públicas federais na região estão paralisadas — um total de 2.207 contratos, sobretudo nas áreas de saneamento e transportes.
O Novo PAC, anunciado em 2023, prevê 294 mil milhões de reais em investimentos no Norte, dentro de um total nacional de 1,7 bilião de reais.

Frota e transporte aéreo


A frota de veículos da região soma 7 milhões, sendo 38,5% motociclos e 30,6% automóveis.
Os aeroportos mais movimentados são os de Belém (4 milhões de passageiros em 2024) e Manaus (2,8 milhões), seguidos por Palmas, Macapá e Santarém.
A CNI reforça que o investimento em transportes, energia e saneamento é essencial para reduzir desigualdades regionais e tornar o Norte mais competitivo.

COP30 e a agenda do desenvolvimento sustentável


O estudo foi apresentado no contexto dos preparativos para a COP30, o principal evento mundial sobre as alterações climáticas, que terá início a 10 de novembro, em Belém (Pará) — no coração da Amazónia brasileira.
Durante o evento Pré-COP30, foram debatidos os desafios de infraestrutura da Amazónia Legal e as propostas oficiais da indústria brasileira para o encontro global.
“O fortalecimento da infraestrutura na Amazónia, com base em novos princípios de sustentabilidade, é o que vai garantir o sucesso da agenda do desenvolvimento sustentável”, afirmou Marcelo Thomé, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondónia (Fiero) e do Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI.

notas finais


Este artigo, da autoria da Agência do Rádio, no Brasil, foi adaptado à escrita de Portugal.

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Palavras-chave: Brasil; CNI; Região Norte; infraestrutura; logística; saneamento; energia; transportes; COP30; Amazónia; Ricardo Alban; Novo PAC; desenvolvimento sustentável; competitividade regional

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