Brasil: Indústria defende COP30 centrada em ação e financiamento climático - Antena Web Notícias


2025-10-17 16:53 por Cristina Sena Agência do Rádio – Brasil

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende que a 30.ª Conferência da ONU sobre as Alterações Climáticas (COP30), que se realizará em novembro, em Belém do Pará (Brasil), avance com ações concretas e resultados mensuráveis.
A entidade apresentou, esta quarta-feira (15), o documento “Visão da Indústria sobre a COP30”, com propostas que procuram conciliar o crescimento económico e social com a agenda climática global.
O texto foi lançado durante o evento Pré-COP30: O Papel do Setor Privado na Agenda do Clima, realizado em Brasília, e será levado à conferência como contribuição oficial do setor industrial. Esta será a segunda COP organizada no Brasil — a primeira desde a Rio-92 — e marca também os dez anos do Acordo de Paris.
“A indústria deve ser parte da solução”
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o setor produtivo tem de assumir um papel ativo nas negociações climáticas.
“A indústria é a mais cobrada quanto às emissões de carbono e à sustentabilidade. Como não participar da discussão das soluções, se temos obrigação de as apresentar? Só o desenvolvimento económico permite o desenvolvimento social”, defendeu.
Alban sublinhou que é necessário superar a ideia de conflito entre crescimento económico e sustentabilidade ambiental:
“As políticas públicas não podem estar desligadas da atividade produtiva nem da sociedade civil. O setor produtivo é quem gera riqueza e oportunidades”, reforçou.

Financiamento climático no centro da conferência


A CNI propõe que o financiamento climático seja o eixo central da COP30. Entre as medidas sugeridas estão a simplificação dos processos de crédito em bancos multilaterais e a flexibilização das regras fiscais para países em desenvolvimento.
O setor também defende a implementação do Roadmap Baku-Belém, um plano global que pretende mobilizar até 1,3 biliões de dólares por ano até 2035 para ações de mitigação e adaptação.
A confederação propõe ainda indicadores mais claros e mensuráveis para a Meta Global de Adaptação, com metas graduais e métricas financeiras confiáveis.

Mercado de carbono e transição justa


A CNI vê no mercado de carbono uma oportunidade estratégica para o Brasil, que pode tornar-se um dos principais fornecedores de créditos de alta integridade ambiental.
A entidade reforça a necessidade de regulamentar o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) e integrá-lo às regras do Artigo 6.º do Acordo de Paris.
A confederação alerta, contudo, que o conceito de “transição justa” não deve ser usado para criar barreiras comerciais, citando como exemplo o Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono da União Europeia, que impõe preços sobre o carbono em produtos importados.

Inovação e protagonismo empresarial


O diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, afirmou que a COP30 será uma oportunidade para consolidar parcerias e transformar avanços em resultados concretos.
“As empresas brasileiras já desenvolveram soluções para a descarbonização e o uso sustentável dos recursos da bioeconomia. A COP30 permitirá dar um novo salto e transformar esses avanços em benefícios para o país e para o planeta”, disse.
O superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, destacou que o encontro em Belém é a ocasião ideal para converter o diálogo global em investimento e competitividade para o Brasil.

Mobilização empresarial global


A Sustainable Business COP (SB COP) — rede global criada pela CNI — reúne 40 milhões de empresas em mais de 60 países.
O chair da iniciativa, Ricardo Mussa, destacou que nunca houve uma mobilização tão ampla do setor privado em torno da ação climática:
“Num cenário internacional de instabilidade geopolítica, é ainda mais urgente que as empresas se unam. O esforço coletivo pode transformar soluções locais em impacto global.”
A SB COP recebeu mais de 670 propostas e selecionou 48 casos de sucesso, incluindo 19 brasileiros, que serão apresentados durante a conferência. Entre os destaques estão projetos de reciclagem de 5,5 mil milhões de garrafas PET por ano e a recuperação de 350 mil hectares de manguezais.

Apoio institucional e empresarial


A participação da CNI na COP30 conta com a correalização do SENAI e do SESI, e o apoio de entidades como a Amcham Brasil, a ABEEólica, a CCAB e a U.S. Chamber of Commerce.
Entre as empresas patrocinadoras estão a Schneider Electric, JBS, Suzano, Braskem, Vale, Ambev e Itaúsa.

notas finais


Este artigo, da autoria da Agência do Rádio, no Brasil, foi adaptado à escrita de Portugal.

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Palavras-chave: Brasil; CNI; COP30; Belém; alterações climáticas; Acordo de Paris; financiamento climático; mercado de carbono; sustentabilidade; indústria brasileira; SB COP; Ricardo Alban; economia verde; transição justa

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