O conhecido jornalista italiano Sigfrido Ranucci, apresentador do programa de investigação Report, da televisão pública RAI, foi alvo de um atentado à bomba na noite de quinta-feira, nos arredores de Roma.
A explosão destruiu completamente o seu automóvel, danificou o carro da filha e causou estragos na fachada de uma casa, mas não provocou vítimas.
“A potência da explosão foi tamanha que poderia ter matado alguém que estivesse passando ao lado no momento”, comunicou o programa Report, através da rede social X (antigo Twitter), onde partilhou imagens do veículo destruído.
De acordo com a investigação preliminar, o artefato explosivo foi colocado debaixo do carro do jornalista, a cerca de 20 quilómetros a sul da capital italiana.
Condenação generalizada e reforço da proteção policial
O atentado gerou ondas de indignação em Itália, com líderes políticos de diferentes partidos a condenarem o ataque. A primeira-ministra Giorgia Meloni manifestou “plena solidariedade” com o jornalista, classificando o episódio como “um grave ato de intimidação”.
“A liberdade e a independência da informação são valores fundamentais da nossa democracia, aos quais não podemos renunciar. Continuaremos a defendê-los”, declarou Meloni em comunicado oficial.
Ranucci, que há anos vive sob proteção policial devido a ameaças recebidas em consequência das suas investigações jornalísticas, passará agora a deslocar-se numa viatura blindada, segundo fontes da RAI.
O jornalista é reconhecido por expor casos de corrupção e máfia, o que o tornou um dos rostos mais emblemáticos do jornalismo investigativo italiano.
Contexto: liberdade de imprensa sob pressão
O ataque reacendeu o debate sobre a segurança dos jornalistas em Itália, país que ocupa a 49.ª posição no ranking mundial da liberdade de imprensa de 2025, elaborado pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF) — uma colocação considerada modesta para uma democracia europeia.
A polícia italiana está a investigar o atentado e não descarta motivação ligada ao trabalho jornalístico de Ranucci.
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