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2025-10-10 14:50 por Cristina Sena Agência do Rádio – Brasil
O Brasil tem potencial para se tornar um dos principais produtores mundiais de terras raras, mas precisa criar um ambiente de negócios favorável e políticas industriais consistentes que permitam o desenvolvimento de toda a cadeia produtiva desde a extração mineral até a produção de tecnologias de ponta.
O tema foi destaque na mais recente reunião do Conselho de Mineração da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
“O momento é propício para transformar o potencial geológico brasileiro em políticas concretas, que permitam não apenas exportar minério, mas também desenvolver indústria de ponta e ampliar a participação do Brasil na economia verde”, afirmou Sandro Mabel, presidente do colegiado.
As terras raras correspondem a 17 elementos químicos fundamentais para tecnologias de energia limpa e de alta precisão, como turbinas eólicas, motores elétricos e equipamentos eletrónicos avançados.
Embora não sejam escassos na natureza, estes elementos são difíceis de extrair e separar, o que aumenta os custos e as barreiras tecnológicas da produção.
Com o avanço da transição energética global e o crescimento da indústria tecnológica, a procura por terras raras deverá aumentar exponencialmente nos próximos anos.
Atualmente, a China domina cerca de 60% da produção mundial de terras raras. O Brasil, por sua vez, possui a segunda maior reserva do planeta — cerca de 21 milhões de toneladas, equivalentes a 23% das reservas globais.
Contudo, o país produz apenas 0,02% do total mundial, o que representa 80 toneladas num universo de 350 mil.
O desafio, segundo os especialistas, é converter o potencial geológico em capacidade industrial, agregando valor, emprego e inovação.
“O que vem junto com a indústria de terras raras é algo que o Brasil precisa urgentemente desenvolver: ciência, tecnologia e inovação”, destacou Luiz António Vessani, membro do Conselho de Mineração da CNI.
“O mercado de terras raras nasceu de intensa investigação científica e tecnológica, e o Brasil precisa investir nesse caminho.”
O professor Nilson Francisquini Botelho, do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB), reforça que o Brasil precisa deixar de exportar apenas matéria-prima.
“Os benefícios seriam muito maiores com o investimento na transformação industrial, convertendo esses metais em produtos tecnológicos. Hoje exportamos para a China em bruto, o que agrega muito pouco valor”, avaliou.
De acordo com projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a procura por terras raras no Brasil deve multiplicar-se por seis até 2034, passando de mil toneladas para mais de seis mil.
Para Vessani, que também preside a Edem Mineração, é fundamental evitar impostos específicos sobre a mineração de terras raras, priorizando incentivos à produção e à inovação industrial.
“É preciso fomentar a mineração para que ela gere produtos e oportunidades de valor, até chegar ao veículo elétrico ou ao aerogerador”, sublinhou.
O Conselho de Mineração da CNI aponta ainda dois entraves centrais ao avanço do setor:
• burocracia excessiva e demora no licenciamento ambiental;
• insegurança jurídica, que eleva custos e afasta investidores.
Segundo a CNI, garantir previsibilidade regulatória e atrair capital de longo prazo são condições essenciais para consolidar o setor de terras raras como um vetor estratégico do desenvolvimento económico brasileiro.
Este artigo, da autoria da Agência do Rádio, no Brasil, foi adaptado à escrita de Portugal.
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Palavras-chave: Brasil, terras raras, CNI, Sandro Mabel, Luiz António Vessani, Nilson Francisquini Botelho, Universidade de Brasília, mineração, inovação tecnológica, transição energética, economia verde, China, reservas minerais, licenciamento ambiental, política industrial
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