Brasil: CNI integra grupo do governo que combate crise do metanol - Antena Web Notícias


2025-10-09 16:37 por Cristina Sena Agência do Rádio – Brasil

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) vai integrar o grupo de trabalho criado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública para enfrentar a crise provocada pela contaminação de bebidas com metanol.
O comité, anunciado na terça-feira (7) pelo ministro Ricardo Lewandowski, contará também com representantes do Governo Federal e de entidades do setor de bebidas.
De acordo com o ministério, o grupo tem como objetivo coordenar uma resposta rápida e articulada para conter os casos de intoxicação por metanol, fortalecer o setor produtivo e integrar ações entre o poder público e a iniciativa privada.

Casos e vítimas


Segundo dados do Ministério da Saúde, até esta quarta-feira (8) foram registadas 259 notificações de intoxicação relacionadas ao consumo de bebidas adulteradas com metanol.
Do total, 24 casos foram confirmados e 235 permanecem em investigação. O estado de São Paulo concentra a maior parte das ocorrências, com 20 casos confirmados, 181 em apuração e cinco óbitos confirmados. Outros 11 casos de morte continuam sob investigação.

Cooperação e fiscalização


A CNI manifestou solidariedade às famílias das vítimas e defendeu uma coordenação nacional entre União, estados e municípios, reforçando a fiscalização e a atuação conjunta das forças de segurança, da vigilância sanitária e dos órgãos de inteligência.
“As organizações industriais são fontes seguras de informação para consciencializar consumidores e profissionais do setor sobre a importância de reconhecer marcas autênticas e detetar sinais de adulteração. A indústria também contribui com alertas sobre riscos à saúde e divulgação de canais de denúncia de atos ilícitos”, informou a entidade em comunicado.

Bebidas falsificadas e riscos à saúde


A professora Grace Ghesti, do Instituto de Química da Universidade de Brasília (UnB), explicou que bebidas destiladas e marcas importadas — normalmente de maior valor comercial — são as principais vítimas de falsificação.
“As fábricas clandestinas fazem de tudo para que a adulteração passe despercebida, de modo a venderem os produtos pelo mesmo preço de uma bebida original”, afirmou a especialista.

Falsificação causa prejuízos bilionários


Além de colocar em risco a saúde da população, o mercado ilegal de bebidas falsificadas, contrabando, pirataria, roubo de cargas e evasão fiscal alimenta o crime organizado e gera perdas bilionárias para a economia.
Um estudo conjunto da CNI, Firjan e Fiesp estimou em 453,5 mil milhões de reais o prejuízo causado por atividades ilícitas em 16 setores económicos em 2022 — valor superior ao PIB do estado de Santa Catarina.
Só em impostos, deixaram de ser arrecadados 136 mil milhões de reais, e cerca de 370 mil empregos diretos deixaram de ser criados.
A CNI defende que o combate ao mercado ilegal deve incluir campanhas de sensibilização junto de consumidores e profissionais, ensinando a identificar produtos autênticos e denunciar irregularidades.

Cuidados ao consumir bebidas alcoólicas


A professora Grace Ghesti reforça a necessidade de verificar sempre a procedência das bebidas alcoólicas antes do consumo, garantindo que os lacres e rótulos estão intactos e que a compra é feita em estabelecimentos de confiança.
Em caso de suspeita de intoxicação por metanol, a recomendação é procurar imediatamente um serviço de saúde e informar qual bebida foi consumida e em que quantidade.

notas finais


Este artigo, da autoria da Agência do Rádio, no Brasil, foi adaptado à escrita de Portugal.

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