Os novos modelos de inteligência artificial chegaram às nossas vidas e mudaram-nas. Mesmo que não queiramos, há sempre alguém por perto que fala com um smartphone para pedir uma informação, mais ou menos relevante, ou até para pedir que conte uma piada.
Mais recentemente, sobretudo desde 2024, essa tecnologia serviu para fazer vídeos engraçados que nós assistimos nas redes sociais, serviu para a criação de música publicitária que também passa em rádios, televisões e nalguns casos até passa como música sem ser para fins publicitários.
Para um grupo mais pequeno, serviu para aprimorar conhecimentos em programação e, como tudo na vida, burlas e malwares foram desenolvidos por inteligência artificial, através de falhas exploradas, precisamente com recurso a inteligência artificial. Uma espécie de: uma IA ensina como hackear ou fazer extrair certo tipo de informação, de outra IA.
Mas estes novos modelos de inteligência artificial vieram também abalar as empresas, nalguns casos, empresas que ajudaram a criar essa mesma IA. Por exemplo, a Google. O Gemini foi a primeira integração de uma IA num motor de pesquisa, e isso teve resultados desastrosos para os anunciantes que obtém receitas através dos anúncios do Google, e que agora, fruto de menos pesquisas, passaram a ter menos visibilidade. A própria gigante tecnológica reconhece que há menos pesquisas no seu motor de busca tradicional. Menos pesquisas significa desvalorização do mercado. No Facebook e Instagram a quebra foi menor porque o tipo de conteúdos a ser pesquisado é outro.
E não só; no Youtube multiplicam-se as músicas feitas por inteligência artificial, em vários casos usando vozes reais. Nalguns, como
Hitler a cantar Despacito ou
Ariana Grande a cantar Uma Casa Portuguesa a paródia ou a experimentação são as únicas finalidades. Noutros porém, como
este novo single de Céline Dion os fins são pouco claros, sendo o mais objetivo a chamada até si, de visualizações com fins de monetização. Se bem que cada vez mais plataformas adulteram ligeiramente as vozes para evitar que se tornem indistinguíveis das vozes reais, há sempre algumas que, mediante certos valores cobrados, não só não adulteram a voz como a aprimoram para se parecer ainda mais com as dos artistas, e aditivamente a isso ainda fazem vídeos hiperrealistas, usando fotografias de pessoas.
músicas
A 7 de Março deste ano os responsáveis por agenciar Céline Dion alertaram na conta de Instagram da cantora canadiana que circulam em várias plataformas músicas atribuidas a ela, geradas por IA de forma não autorizada, e que essas músicas não fazem parte da sua discografia oficial. Heal Me Lord, que acumulou mais de 1 milhão de visualizações em poucos dias, ainda hoje se mantém disponível no canal onde foi publicada, no Youtube, em 2024, e dizemos apenas que é bem menos realista, ou seja, tem muito mais falhas na voz, do que o tema que aqui partilhamos. Ainda assim a maior parte dos internautas viu o nome Céline Dion e acreditou que era ela. A 28 de Setembro o Spotify informou que retirou dos seus sistemas 75 milhões de músicas geradas por IA. A principal plataforma de streaming de música a nível mundial informou que 70% das faixas feitas por inteligência artificial introduzidas no seu sistema foram categorizadas como fraudulentas. Eram músicas curtas que tinham o objetivo de desviar royalties de artistas para si, uploads duplicados e em não raros casos, uploads em contas de artistas, o que começou a tornar impossível de perceber o que era falso e o que era verdadeiro. Apesar de não avançar com mais dados, o Deeser avançou. Também nessa semana, mas alguns dias antes, o Deeser informou que passará em breve a contar com avançados filtros relacionados com a música feita por IA, e diz que recebe entre 20 a 30 mil músicas diariamente, feitas por IA.
A maioria das plataformas de streaming ou compra de música, como o BandCamp, não informam os seus utilizadores se a música que está a ser ouvida ou comprada é feita por IA ou por pessoas.
Se o caso já é complexo nestes termos, a situação fica ainda mais dífícil com bandas como Destiny_Castle ou The Velvet Sundown. Esta última, como [namelink: noticiamos a 8 de Julho; targetlink: new; hreflink: /centraldenoticias/202507/noticia_noticia_686cccad0b7a50.66418298.php;}, chegou a ter quase 1 milhão de plays das suas músicas. São bandas legítimas, ou seja, que não estão a cometer nenhuma ilegalidade, feitas por IA. Mesmo que obviamente operadas e geridas por humanos, muitas destes projetos musicais ocultam propositadamente a sua natureza para assim chamar mais pessoas.
necromidia
Necromidia, ou necromídia, é o ato de usar imagem, som ou vídeo de pessoas já falecidas, para fazer por IA o que elas nunca fariam ou nunca chegaram a fazer. Também na música isso acontece, com Frank Sinatra a cantar músicas que nem existiam em 1995 (ano da sua morte), ou o uso de pessoas para movimentos políticos. Nalguns casos este uso é legalmente consentido por representantes legais, como no caso do
anúncio publicitário que juntou Maria Rita e Elis Regina mas na maior parte dos casos não é isso que acontece.
e quando Sam Altman assaltou uma loja?
Sam Altman é o CEO da Open AI, a dona do Chat GPT. Agora que esta IA permite a criação de vídeos hiperrealistas, um funcionário da própria Open AI decidiu fazer um víddeo satírico em que Sam Altman aparece a entrar numa loja, leva uma caixa e tenta sair sem pagar, acabando depois por ser apanhado por um segurança. O vídeo, feito por IA, aparece como se fosse uma gravação de uma câmara de videovigilância. É falso, mas levantou questões éticas sobre o uso do Sora 2, a plataforma derivada do Chat GPT que permite a criação destes vídeos.
há que manter a esperança
Como todas as tecnologias, quando começam trazem muitas consequências imprevisíveis, mas com o correr do tempo aparecerão soluções para os problemas, que trarão novos problemas e novas soluções. A reação das plataformas de streaming face às músicas geradas por IA, mais ainda com fins pouco claros, é um exemplo disso mesmo. Na semana passada um adolescente de 13 anos em Deland, Florida, EUA, perguntou ao ChatGPT a partir de um computador escolar, como matar um amigo na aula, e a pergunta disparou os sistemas de segurança da escola onde o aluno é estudante. Estes sistemas são geridos por uma empresa chamada Gaggle, que se tem vindo a especializar neste tipo de serviços, o que mostra que o mundo se vai adaptando à inteligência artificial e às suas inúmeras possibilidades, sendo certo que é inevitável: os novos modelos de inteligência artificial mudaram o mundo em que vivemos. Mesmo que eles agora desaparecessem, não seria como se nunca tivessem existido.
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