Alemanha ameaça abandonar a Eurovisão se Israel for excluído do festival - Antena Web Notícias
2025-10-06 17:19 por Rita Saraiva
O chanceler alemão, Friedrich Merz (CDU), afirmou que a Alemanha poderá boicotar o Festival Eurovisão da Canção de 2026 caso Israel seja excluído da competição. A declaração foi feita no programa da ARD “Caren Miosga”, onde o líder alemão classificou como “um escândalo” o simples facto de a União Europeia de Radiodifusão (UER) estar a discutir essa hipótese.
“Se Israel for excluído, eu diria que não deveríamos participar. Acho escandaloso que tal discussão esteja a decorrer. Israel tem o seu lugar na Eurovisão”, defendeu Merz, sublinhando que o país deve continuar a fazer parte do evento.
A controvérsia surge num contexto de forte contestação internacional à condução da guerra por Israel na Faixa de Gaza, após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que matou mais de 1200 pessoas e resultou no rapto de mais de 250. Segundo o Ministério da Saúde controlado pelo Hamas, mais de 65000 palestinianos foram mortos desde então — um número semelhante ao avançado pelo antigo chefe do Estado-Maior israelita, Herzi Halewi, que afirmou que “mais de 10% da população de Gaza foi morta ou ferida”.
O conflito no Médio Oriente dividiu o panorama cultural europeu e chegou ao palco da Eurovisão. As duas últimas edições foram marcadas por protestos contra a participação de artistas israelitas, e vários países, incluindo Eslovénia, Países Baixos e Irlanda, já confirmaram que não irão participar em Viena no próximo ano, caso Israel mantenha a presença. Espanha e Islândia também indicaram que poderão seguir o mesmo caminho.
O vencedor da edição deste ano, o austríaco JJ, juntou-se às críticas: “Gostaria que o Festival Eurovisão da Canção se realizasse em Viena no próximo ano sem Israel. Mas a bola está no campo da UER. Nós, artistas, só podemos levantar a voz nesta questão”, afirmou ao jornal El País.
Perante o boicote crescente, a UER planeia uma reunião extraordinária para discutir a situação. Merz, porém, considera “um escândalo” que a hipótese de exclusão de Israel esteja sequer em debate.
Em defesa da participação israelita, o diretor do canal público Kan, Golan Jochpaz, afirmou que “não há razão para que Israel não continue a ser uma parte importante deste evento cultural”, acrescentando que o festival “não deve tornar-se político em circunstância alguma”.
A Alemanha é um dos “Big Five” da Eurovisão — grupo de países que garantem presença automática na final — e pagou 451.216 euros pela participação deste ano. Dos restantes grandes contribuintes, apenas Espanha confirmou que poderá desistir se Israel participar.
Merz sublinhou ainda que, apesar das diferenças em relação às ações militares de Israel em Gaza, “a solidariedade da Alemanha com Israel nunca esteve em dúvida”:
“O meu sentimento pessoal em relação a Israel é totalmente positivo. É um país maravilhoso. No entanto, algumas ações militares em Gaza ultrapassaram os limites. Precisamos garantir que a fome seja combatida e que a reconstrução comece.”
A Alemanha estreou-se na Eurovisão em 1956 e participou em 68 edições, registando duas vitórias, em 1982 e 2010.
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Palavras-chave: Alemanha, Friedrich Merz, Israel, Eurovisão 2026, Viena, UER, guerra em Gaza, boicote, Palestina, cultura europeia, Festival Eurovisão da Canção
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