Quatro portugueses da Flotilha Global Sumud libertados e a caminho de Portugal após detenção em Israel - Antena Web Notícias


2025-10-05 18:18 por Rita Saraiva

Os quatro portugueses detidos na sequência da interceção da Flotilha Global Sumud pelas forças navais israelitas — que tentava furar o bloqueio marítimo imposto a Gaza — vão ser libertados até ao final deste domingo, 5 de outubro, confirmou uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) à agência Lusa.
No dia em que se assinalam os 115 anos da Implantação da República, Mariana Mortágua, Sofia Aparício, Miguel Duarte e Diogo Chaves deverão ser libertados “se tudo correr bem”, indicou a mesma fonte. O MNE acrescentou que “organizou e tratou de todos os procedimentos para que os cidadãos nacionais que integraram a flotilha possam regressar a Portugal, se tudo correr bem, ainda hoje”.
Os quatro ativistas já assinaram uma declaração de aceitação da deportação, evitando prolongar a detenção e um eventual julgamento. “Eles não precisam de ir a tribunal e vão sair em breve”, afirmou o embaixador israelita em Lisboa, Oren Rosenblat, à CNN Portugal.
O Governo português confirmou que os ativistas chegam esta noite a Lisboa, num voo proveniente de Madrid. “Foram repatriados de Israel e serão acompanhados por um diplomata durante todo o percurso”, informou o MNE, adiantando que o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, estará no aeroporto para os receber.
Nas redes sociais, a página Flotilha Humanitária e Palestina em Português anunciou a receção no Aeroporto de Lisboa às 22h30, sublinhando que “os ativistas foram atacados em águas internacionais e sequestrados para uma prisão israelita”.

Denúncias de maus-tratos e protestos internacionais


Entretanto, multiplicam-se as denúncias sobre o tratamento dado aos detidos. Os ativistas portugueses queixaram-se de maus-tratos e de terem sido “tratados como terroristas”.
Imagens divulgadas na rede X mostram o ministro israelita da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, a visitar os prisioneiros e a chamá-los de “flotilha de terroristas”.
Na sexta-feira, a embaixada portuguesa em Israel apresentou queixa formal pelas condições de detenção. Numa mensagem escrita enviada à família, Mariana Mortágua relatou: “Mãe, estou bem, mas não nos trataram bem, sem comida nem água durante 48 horas.”
A atriz Sofia Aparício também descreveu a situação como “desumana”, referindo que esteve “sem água e comida”, com “pimentos crus e iogurte” como única refeição.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, garantiu entretanto que o Governo está “em contacto com as autoridades israelitas com vista a salvaguardar a situação desses portugueses”, acrescentando que espera que “o regresso possa acontecer sem nenhum tipo de incidente”.

Milhares em protesto pela Palestina


Durante o fim de semana, cerca de três mil pessoas manifestaram-se em Lisboa em solidariedade com os ativistas e com a população palestiniana. A antiga coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, denunciou que Israel impediu uma nova visita da embaixadora portuguesa aos detidos.
No sábado, 137 ativistas de várias nacionalidades foram libertados e chegaram a Istambul num voo da Turkish Airlines. Entre eles estavam cidadãos dos EUA, Itália, Reino Unido, Tunísia, Argélia e Turquia.
Os deportados denunciaram agressões físicas e humilhações. O jornalista italiano Lorenzo D’Agostino afirmou que “ficaram sem água potável durante mais de dois dias” e que “Greta Thunberg foi embrulhada numa bandeira israelita e exibida como um troféu”.
Segundo relatos recolhidos pela agência Anadolu, a ativista sueca “foi arrastada pelos cabelos, agredida e forçada a beijar a bandeira israelita”. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Suécia ainda não obteve resposta oficial de Israel.

Regresso a Portugal confirmado


De acordo com o MNE português, os quatro ativistas — Mariana Mortágua, Sofia Aparício, Miguel Duarte e Diogo Chaves — já deixaram o aeroporto de Telavive e seguem para Lisboa via Madrid. O voo da TAP tem chegada prevista às 22h40 à capital portuguesa.
A diplomacia portuguesa confirmou ainda que a embaixadora Helena Paiva “esteve hoje no centro de detenção de Ketziot para se assegurar do bom desenvolvimento do processo de repatriação”.
O Governo reforçou que “os cidadãos nacionais se encontram bem de saúde, apesar das condições difíceis à chegada ao porto de Ashdod e no centro de detenção”.

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