Digi: um pequeno passo para a concorrência, um grande passo para os consumidores... ou será que não? - Antena Web Notícias


2025-10-05 14:41 por Carlos Bonaparte

A Digi chegou a Portugal em 2024 e causou desde logo "estragos", porque se apresentou com preços muito mais baixos do que alguma vez o mercado podia oferecer.
O problema da operadora é a sua pouca cobertura. Mas, no fim das contas, talvez acabe por compensar. Pelo menos a avaliar pela reação das demais operadoras.

a pouca cobertura


A Digi prometeu recentemente uma internet de fibra de 500mbps por apenas 7€/mês e sem fidelização. A simplicidade da proposta é o que mais impacta num primeiro momento, para lá do preço que vem depois. Este valor já inclui IVA, e só é possível porque a Digi usa sistemas próprios e não alugados ou subalugados, o que permite baixar e muito a proposta final. Aditivamente a isto há uma grelha de canais por apenas 12€. Mas são apenas 80 canais. Embora este número esteja em expansão, a ausência de canais como a CMTV ou o Now, ou canais de música como a MCM, MTV ou Trace, ajuda a explicar também o porquê desse custo mais reduzido. O que não significa que não existam canais de música e informação. Inclusive a Digi tem o seu própprio canal de notícias. O que não é uma proposta muito diferente de outros meios de comunicação social, que desenvolveram vias alternativas de comunicar através dos apoios financeiros das 3 maiores operadoras de telecomunicações em Portugal. Por isso canais como as ramificações da SIC ou da TVI, ou até outros de outros proprietários, não poderiam operar se não fosse o apoio financeiro das grandes empresas de telecomunicações.

a Digi e a Nowo


Há quem suspire pela MCM Pop ou Top, mas talvez isso ainda esteja para muito tarde, e até possa nunca acontecer. Se estreias da CMTV e Nowo são mais possíveis de acontecer a breve tempo, a verdade é que com a TMC (Télévision de MonteCarlo), proprietária dos canais MCM, o processo é mais prolongado.
A Digi comprou a Nowo em 2024 por uma quantia a rondar os 150 milhões de euros, mas comprou com ela não só a infraestrutura existente, não só os acordos vigentes, mas também as queixas e os incumprimentos. Em 2017 os direitos de transmissão dos canais MCM não foram pagos por parte da Nowo, e mais tarde a operadora foi obrigada a retirar os canais da sua grelha sob penas ainda maiores. E talvez a MCM Pop nunca venha a integrar a Digi. Seja porque a operadora não tem relações comerciais em França, seja porque a MCM Pop é um canal exclusivamente para Portugal, e a ideia é desmantelá-lo de maneira progressiva.
A RFMTV é um canal de telediscos francês, mas em Portugal não podia operar por causa da rádio RFM que já detinha a sua exclusividade. Assim, a MCM Pop é um canal que exibe com cerca de 60 a 90 minutos de atraso, a playlist musical da RFMTV, mas sem anúncios. Uma hipotética integração da MCM France (a original que conhecemos aquando da entrada dos serviços de TV por assinatura em Portugal), MCM Top e M6, é de imaginar, já que todas pertencem ao grupo TMC. Mas ainda não há informações nesse sentido. Processos diferentes são os dos canais de música Trace e MTV e até do Sol Música, que poderia voltar a ter distribuição em Portugal pela Digi. Quanto aos canais MTV a oferta poderia ser diferente das restantes operadoras, por não incluir a MTV Portugal, mas incluir segmentados como a MTV80s, MTV90s e MTV00s.
Em relação à Nowo, os clientes estão a ser progressivamente integrados na estrutura Digi. Assim, a marca Nowo desaparecerá, e novas inscrições na Nowo já não são possíveis desde 16 de Outubro de 2024, altura em que a Digi entrou em Portugal.

A cobertura. Ah... a cobertura!


É o grande calcanhar de Aquiles, sobretudo se compararmos com as outras operadoras já instaladas em Portugal. Uma vez que a Digi trabalha apenas com os seus próprios serviços e infraestruturas, o processo de expansão e cobertura é mais lento e gradual. Por enquanto a impresa está focada em grandes áreas urbanas como Lisboa e Vale do Tejo, Pporto, Braga e Coimbra. Ao contrário do que acontecia com a Nowo, as principais reclamações dirigidas à empresa estão apenas relacionadas com a cobertura do serviço, mesmo o móvel, onde a empresa já está mais avançada.

como é possível uma internet de fibra, com velocidade 500mbps, por apenas 7€/mês com IVA incluído?


É a grande pergunta dos cidadãos no que à Digi diz respeito. E mais importante do que isso: não é fraudolenta nem enganosa, a proposta. Com vários canais sob a sua égede, através da empresa DigiTV, canais de entretenimento, documentários, música e até notícias (caso da Digi 24) são disponibilizados ao cliente a custo 0 para a empresa de telecomunicações (Digi). Noutros casos são canais com valor de mercado mais baixo, o que não significa necessariamente menor qualidade. Significa apenas produtos diferentes. Tudo isso permite um valor cobrado bastante mais baixo (metade do que as outras 3 empresas), e uma proposta diferente no que toca sobretudo ao entretenimento e à música.
Aditivamente a isso o facto de a Digi funcionar apenas com a sua infraestrutura torna o valor final muito mais barato para o cliente. É como comprar um livro a um artista, ou comprá-lo numa loja que por sua vez não comprou ao autor, mas sim a um retalhista.
Em Portugal a Digi já tem cerca de 800 colaboradores e no seu site oficial continua a recrutar em várias áreas.

Sobre a Digi


A Digi, operadora romena fundada em 2004, resulta da fusão de duas empresas pertencentes ao mesmo grupo: uma voltada para as telecomunicações e fundada em 1996, outra voltada para serviços de internet e televisão e fundada em 2000.
Desde 2004 que a Digi tem crescido e conseguiu furar a rigidez do precário mercado romeno, que na altura não fazia parte da União Europeia, onde só entrou em 2007. Em 2006 lançou o seu primeiro serviço de fibra ótica e entrou em Espanha com serviço móvel em 2008, e em 2018 entrou com serviço fibra. Até 2024 não tinha comprado empresas para depois se servir das suas infraestruturas. A Nowo, em Portugal, foi curiosamente das primeiras, e parte da Rom Telecom, na Roménia, em 2025 também, confirmando assim a exceção à regra.
Neste momento opera de forma consistente na Roménia, Espanha e Portugal, e de forma menos expressiva na Hungria, onde dispõe de um pack de 30 canais,, e na Itália e Bélgica onde dispõe de serviços móveis, quase em exclusivo. Em qualquer um destes 3 casos não cobre a totalidade do território, ao contrário de Roménia, Espanha e Portugal, onde de alguma forma oferece algum tipo de serviço.

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Palavras-chave: Digi, Nowo, telecomunicações, Portugal, Espanha, Roménia

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