Flotilha Global Sumud: ativistas, incluindo quatro portugueses, levados para prisão no Negev - Antena Web Notícias


2025-10-03 13:31 por Rita Saraiva

Os 473 tripulantes da Flotilha Global Sumud, detidos pelas forças navais israelitas na quinta-feira, foram transferidos para a prisão de Saharonim, no deserto do Negev, no sul de Israel. A informação foi confirmada esta sexta-feira pela equipa jurídica da flotilha.
"Os ativistas foram levados para a prisão de Saharonim, de onde serão provavelmente deportados para os países de origem", declarou Loubna Yuma, advogada da Adalah, em declarações à agência EFE.
Entre os detidos encontram-se quatro cidadãos portugueses: a líder do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua; a atriz Sofia Aparício; e os ativistas Miguel Duarte e Diogo Chaves.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou que a embaixadora portuguesa em Israel, Helena Paiva, irá encontrar-se esta sexta-feira com o grupo, que aguarda agora a deportação.
Segundo o ministro Paulo Rangel, “se aceitarem a deportação, o processo será mais rápido, mas podem opor-se e nesse caso terá de ser ordenada por um tribunal israelita”.

Expulsão forçada e voos programados


O ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, Antonio Tajani, anunciou que o Governo israelita pretende repatriar todos os ativistas “através de uma única medida de expulsão forçada”.
Tajani explicou que os detidos serão deportados “a bordo de dois voos fretados, na segunda-feira, 6 de outubro, e terça-feira, 7 de outubro, em duas capitais europeias diferentes”, que deverão ser Londres e Madrid.
Na quinta-feira, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já tinha adiantado que os cidadãos portugueses terão de escolher entre aceitar a deportação imediata ou aguardar uma decisão judicial em Israel: “Vai ser apresentada uma escolha aos detidos: ou assinam um documento dizendo que saem com a sua concordância do território de Israel, e aí Israel cobre as despesas dessa saída o mais rápido possível, ou preferem a outra via, que é ficarem em território israelita, e nessa medida iniciar o processo que conduz à intervenção de um juiz."

Último navio intercetado


O último barco da flotilha, o Marinette, foi intercetado esta sexta-feira de manhã quando estava a menos de 100 quilómetros da costa da Faixa de Gaza. Pouco antes, a organização tinha anunciado nas redes sociais que a embarcação “sabia o que a esperava”.
De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel, “se o barco se aproximar, a sua tentativa de entrar numa zona de combate ativa e quebrar o bloqueio será igualmente impedida”.
Um vídeo divulgado nas redes sociais mostrou ainda o ministro da Segurança Nacional de Israel, Ben Gvir, a apontar para os ativistas e a exclamar: “São terroristas”.

Operação israelita durou 12 horas


De acordo com as autoridades israelitas, “durante uma operação que durou cerca de 12 horas, o pessoal da Marinha conseguiu impedir uma tentativa de incursão em grande escala, realizada por centenas de pessoas a bordo de 41 navios que tinham declarado a sua intenção de violar o bloqueio marítimo legal sobre a Faixa de Gaza”.
Além dos quatro portugueses, foram também detidos 30 espanhóis, 21 turcos, 15 brasileiros, 12 malaios, 11 tunisinos e 10 franceses, bem como cidadãos dos Estados Unidos, do Reino Unido, da Alemanha, do México e da Colômbia.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, disse esperar que os portugueses regressem “sem nenhum incidente”, sublinhando que a “mensagem política da flotilha humanitária foi executada”.

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Palavras-chave: Flotilha Global Sumud, Gaza, Mariana Mortágua, Sofia Aparício, Miguel Duarte, Diogo Chaves, Paulo Rangel, Marcelo Rebelo de Sousa, Luís Montenegro, Antonio Tajani, Israel, Negev, Saharonim, bloqueio a Gaza, ativistas, deportação.

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