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2025-10-02 20:29 por Cristina Sena Agência do Rádio – Brasil
Uma pesquisa divulgada esta terça-feira (30) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que 29% das indústrias brasileiras utilizam a cabotagem para transporte de mercadorias.
Entre as 65% que ainda não recorrem a este modal, uma em cada cinco (20%) afirma que poderia utilizá-lo caso houvesse melhores condições de infraestrutura.
O estudo também mostra que nove em cada dez empresários que conhecem o Programa BR do Mar – iniciativa federal de estímulo ao transporte por cabotagem – percebem vantagens na nova regulação, sobretudo pela redução de custos operacionais. Essa expectativa foi citada por 85% das empresas que já utilizam cabotagem e por 70% das que ainda não utilizam.
Segundo a analista de Infraestrutura da CNI, Paula Bogossian, a pesquisa oferece um retrato da utilização atual e da perspetiva do setor em relação ao BR do Mar, regulamentado em julho.
“Com a cabotagem, a gente percebe que a maior parte é de grande porte e que a distância média percorrida pela mercadoria é de mais de mil quilômetros”, explica Bogossian.
A cabotagem consiste no transporte de mercadorias entre portos do mesmo país, utilizando navegação costeira ou por hidrovias.
Entre as vantagens destacam-se o menor custo, o baixo índice de roubos, a redução do impacto ambiental – até seis vezes menos poluente que o transporte rodoviário, considerando a distância e o volume – e a capacidade de movimentar grandes cargas.
Atualmente, a cabotagem representa apenas 11% da matriz de transporte no Brasil, dominada pelo petróleo e derivados (75%).
Os principais entraves identificados são: incompatibilidade geográfica (45%), falta de rotas (39%), maior tempo de trânsito (15%) e distância até aos portos (15%).
Para o professor do Departamento de Administração da Universidade de Brasília, Aldery Silveira Júnior, o potencial do país é imenso:
“Cada viagem de navio tira da estrada 170, 180 caminhões. O ganho é muito grande em termos de segurança nas rodovias, em termos de proteção das margens das rodovias, em termos de controle de poluição.”
O interesse no modal é maior no Rio Grande do Sul (17%), seguido da Bahia, Rio Grande do Norte e Santa Catarina (13% cada). Na sequência, surgem Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Sergipe (8%), além de Maranhão, Pará e Paraná (4% cada).
As empresas de grande porte são as principais utilizadoras (44%), contra 22% das médias e apenas 7% das pequenas. Para 79% das que recorrem à cabotagem, a motivação principal é a redução de custos, enquanto 21% destacam a segurança. Segundo a CNI, a maior adoção do modal poderia reduzir em até 13% os custos logísticos do país.
A consulta abrangeu 195 empresas de 29 setores industriais, distribuídas por todas as regiões do Brasil.
Sancionado em 2022 e regulamentado em julho de 2025, o BR do Mar reúne medidas para ampliar o uso da cabotagem no país. Entre elas estão:
• maior oferta de navios e possibilidade de contratação por períodos mais longos;
• participação de empresas internacionais;
• priorização do Fundo da Marinha Mercante;
• incentivos para navios sustentáveis.
“O BR do Mar traz uma série de incentivos, mais especificamente no que tange à utilização de mais navios para cabotagem (...). Hoje temos três empresas no Brasil que transportam contentores. Isso é muito pouco para um país com as dimensões que nós temos”, reforça o professor Aldery Júnior.
A CNI sublinha ainda que alguns regulamentos pendentes são essenciais para a plena aplicação do novo marco legal, como as portarias sobre contratos de afretamento de longo prazo e a definição de embarcação sustentável.
Este artigo, da autoria da Agência do Rádio, no Brasil, foi adaptado à escrita de Portugal.
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Palavras-chave: Brasil, transportes, Cabotagem, BR do Mar, Transporte aquaviário, Custos logísticos, CNI, Indústria brasileira, Modal marítimo, Infraestrutura portuária
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