A flotilha humanitária que seguia para Gaza foi intercetada pela Marinha israelita, que deteve quatro cidadãos portugueses: Mariana Mortágua, Sofia Aparício, Miguel Duarte e Diogo Chaves.
As embarcações foram intercetadas quando se aproximavam do território palestiniano.
Os militares israelitas entraram em vários navios, incluindo aquele onde seguiam Mariana Mortágua e Sofia Aparício. No momento da interceção, a coordenadora do Bloco de Esquerda estava em direto para a RTP, altura em que lhe foi retirado o telemóvel.
Mais tarde, a organização Flotilha Global Sumud confirmou também a detenção de Miguel Duarte, acrescentando que "trata-se de um ataque ilegal contra trabalhadores humanitários desarmados" e apelando à libertação imediata dos ativistas.
Segundo a mesma organização, pelo menos 13 embarcações foram intercetadas pela Marinha israelita, uma delas alegadamente abalroada em águas internacionais.
Reações internacionais e plano de repatriamento
O ministro das relações Exteriores de Itália, Antonio Tajani, anunciou que "a transferência para Ashdod dos 400 membros da Flotilha Global Sumud intercetados pelas forças israelitas a caminho de Gaza foi concluída" e que Israel pretende repatriá-los para Londres e Madrid.
Durante um briefing na Câmara dos Deputados, Tajani afirmou ainda que os detidos serão transferidos "esta noite, após o Yom Kippur, para uma instalação em Bersheva" e que "amanhã de manhã receberão visitas consulares".
As repatriações decorrerão após o Shabat, através de "uma única medida de expulsão forçada" em dois voos fretados, nos dias 6 e 7 de outubro, com destino a capitais europeias, preferencialmente Londres e Madrid.
Em reação à interceção, o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, acusou Israel de mostrar "total desprezo não apenas pelos direitos do povo palestino, mas também pela consciência do mundo", defendendo que "a flotilha representa solidariedade, compaixão e a esperança de alívio para aqueles que estão sob bloqueio".
Já o porta-voz do Mministério das relações exteriores do Reino Unido afirmou ter contactado Israel para exigir que a situação seja resolvida em segurança, respeitando o direito internacional. Sublinhou ainda que "a ajuda transportada pela flotilha deve ser entregue a organizações humanitárias em terra, para ser encaminhada em segurança para Gaza", apelando ao fim imediato das restrições à entrada de bens essenciais.
Reações em Portugal e no Brasil
Em declarações à RTP, o ministro dos negócios estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou esperar que o repatriamento da comitiva portuguesa ocorra “o mais depressa possível”. Sublinhou que os quatro cidadãos detidos “são objeto de proteção consular e diplomática” e garantiu que “tudo será feito para acelerar o regresso”.
O presidente da república, Marcelo Rebelo de Sousa, assegurou igualmente que os portugueses terão “todo o apoio consular”. Já o primeiro-ministro, Luís Montenegro, considerou que a “mensagem política” da flotilha “está executada” e manifestou a expectativa de que o retorno “possa acontecer sem nenhum tipo de incidente”.
Do lado brasileiro, o Ministério das Relações Exteriores confirmou a detenção de vários cidadãos, incluindo a deputada Luizianne Lins, do Partido dos Trabalhadores, frisando que “o Brasil recorda o princípio da liberdade de navegação em águas internacionais e enfatiza o carácter pacífico da flotilha”.
Detenções e próximos
passos
De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel, todos os barcos da flotilha foram intercetados a caminho de Gaza. "Nenhum dos barcos de provocação do Hamas-Sumud conseguiu entrar numa zona de combate ativa nem violar o bloqueio naval legal", afirmou em comunicado citado pela agência EFE.
As tripulações foram levadas para o porto de Ashdod e, segundo a diplomacia israelita, mantidas em centros de detenção específicos. Os detidos poderão aceitar expulsão voluntária imediata ou aguardar decisão judicial.
Israel garantiu que "os membros da flotilha humanitária que foram presos estão seguros e de boa saúde".
Além dos quatro portugueses, foram também detidos 30 espanhóis, 22 italianos, 21 turcos, 12 malaios, 11 tunisinos, 11 brasileiros e dez franceses, bem como cidadãos de países como os Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, México e Colômbia.
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