França investiga petroleiro russo suspeito de integrar “frota fantasma” e servir de base a drones no Báltico - Antena Web Notícias


2025-10-01 19:23 por Rita Saraiva

A França iniciou uma investigação sobre um petroleiro ligado à Rússia por “infrações graves”, afirmou o presidente Emmanuel Macron na quarta-feira.
As autoridades abriram um inquérito ao navio Boracay, com bandeira do Benim, que consta da lista de navios da chamada frota fantasma e está sujeito a sanções da União Europeia.
"Foram cometidas infrações muito graves por esta tripulação, o que justifica o atual processo judicial", declarou Macron numa cimeira de líderes da UE sobre defesa, realizada na Dinamarca.
Parte da investigação vai analisar se o Boracay foi utilizado como plataforma de lançamento para uma incursão de drones no espaço aéreo dinamarquês na semana passada, que obrigou ao encerramento de aeroportos. Macron, no entanto, não confirmou a ligação, afirmando que iria “manter-se muito cauteloso”.

Manobras suspeitas ao largo de Saint-Nazaire


O navio-tanque, que mudou várias vezes de nome desde que deixou o porto russo de Primorsk, a 20 de setembro, encontra-se parado em águas internacionais, junto ao parque eólico offshore de Saint-Nazaire.
Segundo a marinha francesa, o petroleiro efetuou manobras suspeitas, navegando em círculos próximo das águas territoriais francesas. As irregularidades nos documentos de pavilhão levaram o Ministério Público de Brest a abrir uma investigação.
O navio poderá ser apreendido se entrar num porto francês ou aliado, ou caso ultrapasse as 12 milhas marítimas (20 km) de jurisdição francesa. Fora dessas águas, apenas o Benim — país da sua bandeira — tem jurisdição direta.

A “frota fantasma”: um jogo do gato e do rato


A chamada frota fantasma russa reúne centenas de navios que, desde as sanções impostas pela invasão da Ucrânia, transportam petróleo de forma clandestina. Com pavilhões de conveniência, proprietários sediados em paraísos fiscais e transponders desligados durante transferências no mar, estes navios ajudam Moscovo a contornar o embargo europeu e a financiar a guerra.
A sua presença perto das costas europeias levanta preocupações adicionais: riscos ambientais, colisões marítimas e suspeitas de sabotagem a cabos submarinos.

Drones e tensão híbrida no Norte da Europa


Nas últimas duas semanas, países como Noruega, Lituânia e Dinamarca registaram incidentes com drones não identificados sobrevoando aeroportos, plataformas petrolíferas e instalações militares. Esses episódios perturbaram o tráfego aéreo e despertaram preocupação na NATO.
Comparações de rotas colocam o Boracay/Pushpa nas proximidades durante alguns avistamentos, levantando a suspeita de que o petroleiro possa ter servido como base flutuante ou retransmissor técnico. Ainda não há provas formais, mas analistas veem a hipótese como parte de uma estratégia russa de guerra híbrida, que inclui ataques cibernéticos, espionagem e intimidação.
Até agora, Moscovo negou qualquer envolvimento.

Europa promete resposta firme


Na cimeira da UE em Copenhaga, o ministro dinamarquês dos Transportes, Thomas Danielsen, destacou que a segurança será um tema central. Já Andrius Kubilius, comissário europeu para a Defesa, foi categórico: “A Rússia está a pôr a UE e a NATO à prova e a nossa resposta deve ser firme, unida e imediata. Hoje, decidimos passar das discussões à ação concreta.”

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