Brasil: Infeções por Aedes aegypti aumentam risco de complicações no parto - Antena Web Notícias


2025-09-29 20:32 por Cristina Sena Agência do Rádio - Brasil

As doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti — dengue, zika e chikungunya — representam um risco significativo para a saúde materno-infantil no Brasil.
Uma pesquisa conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e publicada na revista Nature Communications analisou mais de 6,9 milhões de nascidos vivos entre 2015 e 2020 e concluiu que a infeção por arboviroses durante a gravidez aumenta o risco de complicações no parto, prematuridade, baixo peso e até óbito neonatal.
O levantamento, realizado pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Fiocruz Bahia), mostra que os riscos variam conforme o tipo de vírus e o período da infeção. A dengue foi associada a partos prematuros, baixo peso à nascença e anomalias congénitas.
Já a zika apresentou efeitos mais severos, com destaque para o aumento de mais de duas vezes no risco de más-formações congénitas.
A chikungunya também se mostrou perigosa, elevando a probabilidade de morte neonatal e de alterações no desenvolvimento fetal.
Os impactos são mais graves em comunidades vulneráveis, onde a exposição ao mosquito transmissor é maior. Para além do risco à saúde, os custos com os cuidados de crianças com anomalias congénitas ou complicações neonatais recaem sobretudo sobre famílias de baixa renda.

Período de maior infeção


Entre outubro e maio, a incidência de casos de dengue aumenta. Por isso, é necessário reforçar os cuidados, como eliminar locais com água parada que possam servir de foco para o mosquito, como pneus, pratos de plantas e entulhos nos quintais, além de procurar uma unidade básica de saúde em caso de sintomas.
“Mesmo nos períodos de baixa transmissão, sempre a população que está com febre, dor no corpo, dor nas articulações, procure a unidade de saúde, porque sempre é importante pensar que pode ser um caso de dengue, de chikungunya ou de zika vírus, e a conduta é sempre indicada”, explica o secretário adjunto da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) do Ministério da Saúde, Fabiano Geraldo Pimenta Junior.
O infeciologista Julio Croda destaca a importância da vacinação contra a dengue em crianças de 10 a 14 anos para evitar o agravamento dos casos:
"A vacina garante proteção, principalmente para as formas mais graves, para a hospitalização", detalha.
No Brasil, a dengue é a arbovirose de maior incidência.
De acordo com dados do Painel de Monitorização de Arboviroses do Ministério da Saúde, em 2025 foram registados mais de 1,5 milhão de casos prováveis da doença em todo o país, com 1,6 mil mortes.

notas finais


Este artigo, da autoria da Agência do Rádio, no Brasil, foi adaptado à escrita de Portugal.

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Palavras-chave: Brasil, saúde, Aedes aegypti, Dengue, Zika, Chikungunya, Saúde materno-infantil, Fiocruz, Prematuridade e baixo peso, Más-formações congénitas, Vacinação contra a dengue, Ministério da Saúde (Brasil)

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