O governo espanhol de Pedro Sánchez determinou um veto à utilização das bases militares de Rota (Cádis) e Morón (Sevilha) pelos Estados Unidos para o trânsito de armas destinadas a Israel. A decisão, tornada pública recentemente, insere-se no quadro de um embargo total de armas a Israel aprovado pelo Conselho de Ministros espanhol e representa um novo passo de Madrid para aumentar a pressão sobre o governo israelita face à situação em Gaza.
A proibição afeta aviões e navios militares dos EUA que transportem armamento para Israel, independentemente de se tratar de viagens diretas ou com escalas noutros países. Fontes do governo espanhol confirmaram que a Casa Branca foi notificada da medida e acatou o veto que visa impedir que as infraestruturas em solo espanhol sejam usadas como ponto de passagem logístico para o rearmamento das Forças de Defesa de Israel.
Soberania espanhola em causa
Embora as bases de Rota e Morón sejam operadas em conjunto com as forças americanas, a soberania sobre o território e as instalações é inteiramente espanhola. Esta prerrogativa permite ao governo de Madrid exercer o controlo sobre as operações realizadas no seu solo, incluindo o trânsito de material militar.
A medida surge num contexto em que a Espanha tem procurado assumir uma posição de liderança na União Europeia e no plano internacional na defesa do direito internacional humanitário e no apelo ao fim do conflito. O embargo total de armas aprovado pelo Conselho de Ministros inclui, além da proibição de exportação e importação de material de defesa, a recusa de trânsito de combustível para aeronaves de potencial uso militar por Israel e a restrição à importação de produtos originários dos colonatos israelitas nos territórios palestinianos ocupados.
O Ministro da Economia espanhol, Carlos Cuerpo, sublinhou que a decisão é "mais uma prova do compromisso político do governo e da liderança internacional da Espanha" no respeito pelos direitos humanos e pelo direito internacional.
Apesar da medida, a cooperação militar e de defesa entre Espanha e os EUA no âmbito dos acordos bilaterais e da NATO para outras missões e operações não foi afetada.
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