TPO proibido nas unhas de gel… mas continua a surgir na medicina dentária:salões em sobressalto e dúvidas na saúde pública - Antena Web Notícias


2025-09-26 17:05 por Rita Saraiva

A partir de 1 de setembro de 2025 entrou em vigor, na União Europeia, a proibição do TPO (óxido de trimetilbenzoil difenilfosfina) em vernizes semipermanentes.
Classificado pela Comissão Europeia como “carcinogénico, mutagénico e tóxico para a reprodução”, o fotoiniciador, que acelera a polimerização do gel sob luz UV, deixou salões a contabilizar prejuízos, obrigou fabricantes a reformular linhas inteiras e levantou uma pergunta: e fora da cosmética?
É que o TPO não vive só nas unhas. “Este composto está presente em muitíssimas aplicações para solidificar materiais”, explicam especialistas em Engenharia Química.
Na medicina dentária, fotoiniciadores como o TPO são usados em resinas e cimentos “para auxiliar na cura e obter um acabamento estável e sem descoloração”, incluindo selagem de fissuras, restaurações e até branqueamentos.
A Ordem dos Médicos Dentistas confirmou a sua utilização em Portugal, assinalando que a quantidade “é mínima comparada com a utilizada nos cosméticos” e admitindo que, nos produtos dentários, a percentagem não vem indicada, o que mantém “uma incógnita” sobre o risco real.
Enquanto dentistas e fornecedores receiam que as restrições possam vir a ser estendidas a dispositivos médicos, no terreno multiplica-se o impacto económico.
“Algo mudou nos salões de manicure desde o início de setembro”, relatam profissionais: stocks inteiros ficaram inutilizáveis e sem orientações claras de recolha seletiva, muitos salões descartaram os produtos no lixo comum.
Outras optaram por trocas promovidas por marcas ou descontos para migrar para fórmulas sem TPO, mas queixas sobre perda de qualidade e tempos de secagem são frequentes.
A confusão também chega aos rótulos. Técnicos admitem “andar de lupa” para distinguir TPO de nomes químicos semelhantes ainda permitidos, num cenário em que “há falta de informação e muita informação incompleta”. Entre clientes, persistem equívocos: “Não está proibida a unha de gel, é proibido o químico”, esclarecem profissionais.
O Infarmed sublinha que “neste momento trata do cumprimento do previsto no regulamento europeu, nomeadamente a proibição da utilização de TPO em vernizes", sem detalhar procedimentos de reciclagem. Entidades do setor dos resíduos remetem orientações para as autoridades competentes.
No plano científico, o tema não é novo. Durante anos, o TPO foi tolerado em contexto profissional,até ser reclassificado em 2025 para CMR 1A (carcinogénico, mutagénico ou tóxico para a reprodução).
A partir daí, a cosmética ficou fora do baralho — e a odontologia entrou no radar: “Apesar de não ser o ingrediente mais utilizado – o mais popular é canforoquinona –, TPO é a segunda substância mais utilizada”, reconhecem fontes da área, que já procuram alternativas. Ainda assim, pedem que se evite alarmismo: as resinas “ficam dentro do dente e não têm contacto direto com o organismo".
Entre fiscalizações anunciadas e multas pesadas em caso de incumprimento, associações do setor falam em “desastre económico”, enquanto investigadores reforçam o consenso: “foram obtidas evidências sólidas sobre o nível carcinogénico” do TPO.
Nos salões, faz-se contas e reorganizam-se prateleiras, num ambiente de incerteza que apanhou muitos de surpresa.

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Palavras-chave: Saúde, TPO, unhas de gel, fotoiniciador, proibição UE, Infarmed, resinas dentárias, cimentos dentários, dispositivos médicos, risco reprodutivo, carcinogenicidade, salões de estética, reciclagem de cosméticos, OMD, canforoquinona

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