Carris admitiu acidentes técnicos no Elevador da Glória antes da tragédia que matou 16 pessoas - Antena Web Notícias
2025-09-23 13:18 por Rita Saraiva
Antes do desastre de 3 de setembro de 2025, no qual morreram 16 pessoas e mais de 20 ficaram feridas, a Carris já tinha conhecimento de pelo menos dois acidentes técnicos no Elevador da Glória, um em 2024 e outro em maio de 2025.
Nenhum deles provocou vítimas, mas ambos expuseram falhas graves no sistema de travagem.
A empresa chegou a negar publicamente a ocorrência do acidente de 2024. Contudo, confrontada com os testemunhos do dirigente sindical Manuel Leal, do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários e Urbanos (STRUP), acabou por admitir os incidentes.
Segundo o sindicalista, o travão não respondeu no imediato e o de emergência também não conseguiu parar a cabine a tempo, que acabou por embater nos degraus .
O caso foi discutido internamente e consta da reunião da Comissão de Apreciação e Risco para a Descaracterização de Acidentes, realizada a 31 de janeiro de 2025.
Apesar dessas informações, a Carris declarou ao Exclusivo, a 9 de setembro de 2025, que não existiam incidentes registados. Mais tarde, reconheceu os dois acidentes, mas atribuiu a responsabilidade do de 2024 ao guarda-freio, versão que contrasta com alertas antigos de falhas mecânicas, segundo trabalhadores da empresa.
A manutenção dos ascensores está dividida entre a Carris e a empresa MAIN, que venceu concursos públicos em 2022 tanto em Lisboa como no Porto, apesar de críticas por apresentar “preços anormalmente baixos”.
Criada em 2009 como empresa de construção civil, a MAIN só em 2022 alterou formalmente o objeto social para a manutenção de elevadores.
Confrontado com a ocultação de incidentes, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, remeteu responsabilidades para a administração da Carris. Entretanto, foi lançado um novo concurso público em 2025, mas acabou anulado por falta de propostas dentro do valor estipulado. A empresa optou por ajuste direto com a MAIN por seis meses.
Dentro da Carris, o ambiente é descrito como de “silêncio e medo”. Fontes internas relatam um clima de perseguição aos trabalhadores e ordens expressas para que não falem com jornalistas que investigam as causas do desastre.
O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) mantém a investigação em curso, em articulação com a Polícia Judiciária.
Todos os elevadores da Carris permanecem suspensos por ordem da Câmara de Lisboa até à conclusão de uma inspeção técnica independente.
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