Brasil aponta para cenário fiscal “menos otimista” com déficit crescente em 2026 - Antena Web Notícias


2025-09-22 18:48 por Lívia Braz Agência do Rádio – Brasil

O Brasil caminha para 2026 com um quadro fiscal menos otimista do que o projetado pelo Governo Federal.

Segundo o Relatório de Acompanhamento Fiscal da Instituição Fiscal Independente (IFI)** do Senado, o cumprimento da meta poderá exigir novas medidas de arrecadação, face a um défice persistente e à incerteza sobre as receitas públicas.

De acordo com a instituição, para atingir o centro da meta prevista no **Projeto de Lei Orçamental Anual de 2026 (PLOA 15/2025)**, enviado pela Presidência da República, seria necessário um esforço fiscal extra de 79,3 mil milhões de reais, equivalente a 0,55% do PIB.

A IFI projeta para o próximo ano um crescimento de 1,7% no PIB e uma inflação de 4,3%**. Já o PLOA apresenta estimativas mais otimistas, com um avanço de 2,4% do PIB e inflação de 3,6%.

O diretor da IFI, Alexandre Andrade, explica que as projeções oficiais do governo apresentam expectativas mais favoráveis do que as observadas pela instituição.

“Pelo lado das receitas, a IFI identificou desvios significativos em relação a alguns agregados, como receitas da previdência e outras não administradas, que dependem de parâmetros macroeconómicos favoráveis. Há ainda um montante considerável que depende da aprovação do Congresso.”

Andrade alerta que mudanças em propostas parlamentares podem diluir a arrecadação prevista, exigindo novas fontes de receita.

O relatório salienta ainda que o Brasil apresenta um dos maiores crescimentos da relação dívida pública/PIB entre os países emergentes e latino-americanos, e que alterações nas metas fiscais comprometem o papel do Estado como sinalizador da solidez fiscal.

Défice crescente e transparência em debate

O cenário traçado pela IFI encontra ecos nos números divulgados pela ferramenta Gasto Brasil criada este ano pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP)** que acompanha em tempo real os gastos do governo federal, estados e municípios.

Segundo o presidente da CACB, Alfredo Cotait, os dados da IFI reforçam a necessidade de maior critério na gestão do dinheiro público.

“O governo arrecada, mas gasta sem critério. Só neste ano, até setembro, o défice operacional já chega perto de 1 bilião de reais acima da arrecadação.

É como numa casa: só se pode gastar aquilo que se recebe. O Brasil está a caminhar para uma situação de insolvência”, criticou.

Cotait destaca que a maior parte dos recursos é destinada a benefícios sociais e previdenciários, muitos de baixo valor individual, mas que, somados, pressionam o orçamento. Ele avalia que a transparência oferecida pelo Gasto Brasil é essencial para a sociedade acompanhar e cobrar eficiência do Estado.

Até ao fecho da reportagem, o Gasto Brasil indicava um montante de mais de 3,7 biliões de reais de gastos dos três níveis de governo em 2025.

Qualidade da despesa preocupa especialistas

Para o economista Allan Gallo, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o problema não está apenas no tamanho dos gastos, mas na sua destinação.

“Gastamos mais que a média dos países emergentes, mas a qualidade da despesa é inferior à dos países desenvolvidos. Mantemos a máquina pública em vez de direcionar recursos para investimentos produtivos, infraestrutura e melhoria do ambiente de negócios”, afirmou.

Para Gallo, sem reformas estruturais administrativa, tributária e do pacto federativo o Brasil continuará preso a um modelo de baixo crescimento, com elevada carga tributária.

“Reduzir a arrecadação ou simplificar impostos não basta; é preciso cortar despesas obrigatórias e reconfigurar o papel do Estado”, acrescentou.

Transparência como ponto de partida

Apesar das divergências sobre as soluções, Cotait e Gallo convergem quanto à importância de a sociedade acompanhar de perto o gasto público. A transparência promovida pelo **Gasto Brasil** é um primeiro passo, mas mudanças profundas dependem de vontade política e reformas estruturais.

“Sem essas mudanças, continuaremos presos a um modelo caro, ineficiente e insustentável. A transparência é fundamental, mas sozinha não resolve”, concluiu Gallo.

notas finais

Este artigo, da autoria da Agência do Rádio, no Brasil, foi adaptado à escrita de Portugal.

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Palavras-chave: Brasil, cenário fiscal 2026, défice público, IFI (Instituição Fiscal Independente), PIB, dívida pública, Alfredo Cotait, Allan Gallo

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