Brasil perde duas posições e fica em 52º no ranking global de inovação - Antena Web Notícias


2025-09-17 16:27 por Cristina Sena Agência do Rádio – Brasil

O Brasil caiu pelo segundo ano consecutivo no Índice Global de Inovação (IGI) e está em 52.º entre 139 países.
O ranking anual é elaborado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) e conta com a colaboração da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A pesquisa analisou 80 indicadores, divididos entre insumos de inovação (inputs) e resultados de inovação (outputs).
Os resultados dos últimos dois anos interrompem uma trajetória de crescimento brasileira, entre 2020 e 2023. O país também perdeu a liderança entre as 21 economias da América Latina e Caraíbas, ultrapassado pelo Chile.
De acordo com o especialista em Inovação da CNI, André França, é importante compreender as diferenças económicas entre Brasil e Chile para interpretar o ranking. “O Brasil é um país de renda média-alta. O Chile, líder no ranking, é uma economia menor, mas de alta renda – ou seja, mais rica, que também pressupõe ser mais inovadora. O Chile está performando como esperado e o Brasil está acima dessa performance esperada para outros países de renda média-alta”, detalha.
Entre as 36 economias de renda média-alta, o Brasil ocupa o 5.º lugar, atrás da China, Malásia, Turquia e Tailândia.
André França destaca que essa é a primeira vez que a China aparece entre as dez economias mais inovadoras do mundo.
O relatório evidencia ainda uma desaceleração global nos investimentos em investigação, desenvolvimento de tecnologias e novos produtos, após o crescimento observado no período pós-pandemia.

Índice Global de Inovação: destaques do Brasil


O Brasil apresentou melhor desempenho em resultados de inovação (50.º lugar) do que em insumos de inovação (63.º lugar). Isso evidencia a capacidade de transformar investimentos em produtos e serviços, mas também revela limitações em áreas como infraestrutura e investigação, educação e desenvolvimento.
Diante dos dados, França reforça a necessidade de aprimorar o ambiente de negócios no país: “Governo mais eficaz, agências reguladoras mais qualificadas, alinhadas com práticas internacionais. Aí sim, teremos uma performance de inovação, de desenvolvimento de novos serviços e produtos inovadores, que vai, inclusive, nos atingir a melhores posições”, ressalta.

Destaques positivos:



7.º lugar mundial em mercado consumidor;

9.º lugar em alto volume de marcas registadas;
• 16.º em negócios de capital de risco em estágio avançado;
• 17.º em importações de serviços de tecnologia da informação e comunicação;
• 17.º em pagamentos de propriedade intelectual.

O relatório também aponta avanços expressivos em:


• veículos elétricos (+132,6%, 2023/24);
• 5G (+86,9%, 2022/23);
• registo internacional de patentes (+23,9%, 2023/24);
• robótica (+10%, 2022/23).

Pontos fracos:



128.º em estabilidade regulatória para negócios;
• 118.º em formação bruta de capital;
• 106.º em taxa tarifária aplicada;

100.º em diplomados em ciências e engenharias;
• 78.º em cultura empreendedora.
A indústria brasileira tem papel central no ambiente de inovação, com empresas como Petrobras, Vale, Embraer e TOTVS entre as duas mil que mais investem em investigação e desenvolvimento no mundo.
Já entre as universidades, destacam-se as de São Paulo (USP), Campinas (Unicamp) e Rio de Janeiro (UFRJ).
Também ganham espaço as startups Quinto Andar, C6 Bank e Nuvemshop.

Ações de fomento à investigação na indústria


A CNI realiza uma série de ações de fomento ao desenvolvimento industrial. Entre elas, está o acordo de cooperação técnica com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para ampliar a inserção de investigadores no setor produtivo. A iniciativa tem como meta reforçar a inovação, a competitividade industrial e a integração entre empresas e academia.
O acordo terá vigência inicial de dois anos, até julho de 2027.
Entre as ações previstas estão intercâmbio de informações e produção de estudos, monitorização da empregabilidade de mestres e doutores, avaliação de programas estratégicos, como o Inova Talentos, criação de um painel nacional para mapear investigadores por área de atuação, e identificação de bolseiros do CNPq já inseridos na indústria.
“Esse tipo de parceria vai permitir compreender mais essa dinâmica de relação entre as universidades, programas de pesquisa, os egressos também das universidades, nessa interação entre a universidade e a indústria, que nós sabemos que é muito importante para o processo de inovação do país”, explica o superintendente do Observatório Nacional da Indústria, Márcio Guerra.
Com o acordo, a expectativa é ampliar a conexão entre empresas e investigadores e gerar subsídios para o aperfeiçoamento de políticas públicas em ciência, tecnologia e inovação.

Índice Global de Inovação: estrutura


O índice pondera os resultados de acordo com sete categorias: cinco de insumos (instituições, capital humano e investigação, infraestrutura, sofisticação de mercado e sofisticação de negócios) e duas de resultados (conhecimento e tecnologia e criatividade).
O Brasil sai-se melhor em sofisticação empresarial (39.º), capital humano e investigação (48.º) e resultados criativos (50.º), mas ainda enfrenta fragilidades em instituições (107.º) e sofisticação de mercado (71.º).

notas finais


Este artigo, da autoria da Agência do Rádio, no Brasil, foi adaptado à escrita de Portugal.

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Palavras-chave: Brasil, ciência, tecnologia, Inovação, Índice Global de Inovação (IGI), sofisticação empresarial, start-ups, cooperação universidade-indústria

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