Seleção nacional sofre mais do que o desejável, mas cumpre pleno no apuramento para o Mundial
Nesta terça-feira, 9 de Setembro, a seleção das quinas bateu em partida referente à II Jornada do grupo F de qualificação para o Mundial de futebol do próximo ano, a realizar nos Estados Unidos, México e Canadá, a congénere húngara por três bolas a duas. O encontro que foi realizado na capital do país, Budapeste, teve como cenário o Puskás Aréna, um recinto com capacidade para pouco mais de 67000 espetadores, sendo que foram mais de 62000 os que preencheram as bancadas do maior estádio daquele território. Referir ainda que o duelo teve arbitragem do quarentão belga, Erik Lambrechts.
Tal como vem a ser hábito em desafios, teoricamente de grau de dificuldade não tão grande, o selecionador nacional, Roberto Martínez resolveu apresentar novidades no onze: Rubén Neves, médio defensivo de raiz, foi promovido a central, isto apesar de existirem centrais no banco: Gonçalo Inácio, Renato Veiga e António Silva, contudo foi mesmo o feirense a avançar.
O face a face iniciou com Portugal muito afirmativo, em contraponto com os magiares que se remeteram, numa primeira fase, a tarefas defensivas, sendo que apenas o homem mais adiantado procurava os espaços em falta no derradeiro terço dos lusos. De resto eram dez, contando com o guarda-redes atrás da linha da bola, algo que teve o condão de forçar os nacionais a procurar jogadas de envolvimento e outros recursos , visto que os antagonistas se fechavam a sete chaves!
Portugal tinha muito maior posse de bola, com os da casa a apostarem em manter as linhas bastante compactas e juntas, por forma a aproveitar algum deslize nacional, sendo que Diogo Costa e restantes companheiros do setor mais recuado foram meros elementos cénicos desta peça, até ao 21º minuto!
Felizes logo à primeira!
Se Portugal tinha a iniciativa da partida, ainda que sem fazer acender os alarmes perto da baliza húngara, a realidade é que "sem saber ler nem escrever" e, claramente, contra a tendência do confronto foram mesmo os magiares quem festejou primeiro. Deslize dos dois Rubens, Neves e Dias, e numa transição conduzida e orquestrada pelo criativo dos anfitriões, Szobozlai, ele que atua no campeão inglês Liverpool nasceu o tento que fez agitar as redes de Diogo Costa naquele que foi o primeiro golo consentido pelos lusos nesta fase de apuramento. O dez iniciou, deu para Nagy e de seguida Varga, que fez o segundo golo nesta fase de apuramento, cabeceou para o fundo do da baliza lusa.
Desta forma a pressão sobre os ombros dos capitaneados por CR 7 era ainda maior.
Portugal despertou após o golo sofrido aos 21' e voltou a dominar, embora os da casa tivessem tentado explorar a transição ofensiva. Contudo apenas graças a Toth, ele que defende a baliza do Blackburn Rovers da II Liga inglesa o empate não se deu de enfiada. Bastante expedito, seguro e prático travou duas tentativas de Ronaldo e uma de João Neves, todas elas de grau de dificuldade assinalável.
Volvidos 36' e com o jogo a manter a mesma toada de até então, foi dos pés e do gênio do baixinho João Neves, uma das figuras emergentes do futebol europeu, que nasceu o desenho do empate. Este cruza na direita e após vários ressaltos foi o regressado, em boa hora à seleção, João Cancelo que assistiu outro "roda baixa" Bernardo Silva, que com classe superior, fez o 14º remate certeiro ao serviço das quinas. Finalmente a bola morou no fundo das redes dos caseiros, que tiveram sempre um 12º jogador bem saliente, o público sempre vibrante, entusiasta e participativo que os tentou catapultar para um resultado capaz de abalar a Europa do Futebol.
Até à saída para as cabinas os portugueses imprimiram um ritmo bastante vivo, que já mais proporcionou qualquer saída para ataque por parte dos seus adversários, acabando mesmo por dispor de mais alguns assomos. Embora remetidos, por completo, à defesa, os húngaros conseguiram manter a igualdade até se escoar o primeiro tempo, no qual e mesmo longe de empolgar Portugal deveria ter saído na frente, visto que tirando o golo da seleção magiar, nada foi permitido ao adversário que derrotamos pela 16ª ocasião em outros tantos duelos.
Entrada forte coroada com novo Record
Portugal voltou determinado em acabar com a " brincadeira" da etapa primeira e a verdade é que o ritmo pareceu ser finalmente intenso, constante e assertivo. Como expoente máximo de tal superioridade, quem mais, Cristiano Ronaldo na sequência de uma mãozinha marota de um atleta magiar, e mesmo com um gigante coro de apupos, o "príncipe" das arábias chegou mesmo ao golo 141 pela nossa seleção e batendo com mestria a grande penalidade conferiu justiça ao placard, ele que no total da carreira conta já 943 remates vitoriosos! Algo ao alcance de predestinados, isto com treze de jogo no segundo tempo!
Numa fase em que Portugal parecia estar em pleno controlo das operações, melhor em todas as vertentes do embate, mas também com o modo gestão ativado e com os donos da casa a correr atrás do esférico, foi em nova desatenção e falha de coordenação dos Rubens, que Varga voltou a encaminhar para onde a "coruja dorme"!
Cruzamento de Nego, nascido em solo gaulês, Lukácks desviou ao primeiro "pau" e o ponta de lança assinou assim o bis, que deixou Martínez incrédulo, mas também de pé atrás com as alterações que levou a cabo, visto que talvez tenha acreditado que dificilmente os opositores teriam discernimento para alcançar nova igualdade, mas a verdade é que a seis dos noventa isso aconteceu mesmo!
Cancelo super sónico recuperou a bola, esta ainda passou pelos pés de Vitinha e Bernardo, antes do lateral atirar a contar e gelar a Puskás Aréna, que já ia contando com um resultado excelente para os seus. Coroou-se assim aquele que foi dos melhores elementos do conjunto lusitano nesta dupla operação, e que colocou em campo todos os atributos que lhe são reconhecidos, mostrando que não fez grande sentido a sua ausência durante tanto tempo das convocatórias de Roberto Martínez.
Deste modo e mesmo com muitas invenções à mistura, fruto da qualidade dos seus executantes, a nossa seleção alcançou mais três pontos dando sequência à goleada diante da Arménia, somando agora seis pontos em duas partidas.
Classificação e possibilidade de apuramento já em Outubro
Com duas rondas já cumpridas neste grupo F, Portugal lidera com seis pontos já averbados, podendo caso vença a 11 e a 14 de Outubro nas recessões à República da Irlanda e Hungria respetivamente, carimbar desde já lugar no Mundial de 2026.
A Arménia, de forma surpreendente, segue na vice-liderança com três pontos, fruto do triunfo diante dos Irlandeses por 1-2. A Hungria é terceira com um pontinho, tantos como a República da Irlanda.
Para estar sempre a par do que acontece sobre os temas que mais o cativam ou preocupam, subscreva os nossos alertas