Tragédia no Elevador da Glória faz 16 mortos e 21 feridos em Lisboa. Afinal de contas, o que, e como aconteceu? - Antena Web Notícias


2025-09-04 19:08 por Mariana Lucas

Lisboa viveu esta quarta-feira uma das páginas mais negras da sua história recente. O histórico Elevador da Glória descarrilou ao final da tarde, em plena Calçada da Glória, provocando 16 mortos e 23 feridos, sete dos quais em estado crítico. Desses feridos graves, seis encontram-se nos cuidados intensivos e um acabou por morrer.
O acidente ocorreu pelas 18h05, quando um dos cabos de tração cedeu, deixando o elétrico que descia desgovernado. Sem travagem possível, a composição colidiu violentamente contra um edifício, espalhando o pânico numa das zonas mais movimentadas da cidade. O outro elétrico, que deveria servir de contrapeso, ficou suspenso, sem tombar, evitando um cenário ainda mais grave.
Entre as vítimas mortais encontra-se o guarda-freio da Carris, André Marques, descrito pela transportadora como “um profissional dedicado e sempre sorridente”. Há ainda registo de turistas estrangeiros entre os falecidos, incluindo o caso de uma criança de três anos que sobreviveu ao desastre, apesar da morte do pai e do estado grave da mãe.

Governo decreta luto nacional


O Governo decretou um dia de luto nacional e a Câmara Municipal de Lisboa determinou três dias de luto municipal, com bandeiras a meia-haste em todos os edifícios públicos. O Primeiro-Ministro garantiu uma “investigação célere e transparente”, enquanto o Presidente da República manifestou “profundo pesar” às famílias das vítimas.
A Carris assegurou que todos os protocolos de manutenção estavam a ser cumpridos, sendo a última inspeção realizada ontem, durante a manhã, mas abriu uma investigação interna paralela ao inquérito do Ministério Público e ao processo conduzido pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF).

Repercussão internacional


As mensagens de condolências multiplicaram-se. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, afirmou estar “em choque com a tragédia em Lisboa”, assegurando solidariedade às famílias das vítimas. Pedro Sánchez, chefe do Governo espanhol, enviou “carinho e apoio” ao povo português. Emmanuel Macron, Giorgia Meloni e várias embaixadas estrangeiras também manifestaram pesar.
Elevadores parados para inspeção
Por precaução, os restantes funiculares da cidade — Bica, Lavra e Santa Justa — foram retirados de circulação para inspeções de segurança. A decisão visa apaziguar receios da população e dos milhares de turistas que diariamente utilizam estas ligações históricas.

Um símbolo ferido de Lisboa


O Elevador da Glória, inaugurado em 1885, que liga os Restauradores ao Jardim de São Pedro de Alcântara, no Bairro Alto, é o mais frequentado dos funiculares da capital, transportando mais de três milhões de passageiros por ano. A sua imagem está profundamente associada à identidade da cidade. A tragédia deixa agora Lisboa em estado de choque e levanta sérias questões sobre a segurança do património histórico que continua a servir a mobilidade urbana.

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Palavras-chave: tragédia, Elevador da Glória, Lisboa, acidente ferroviário

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