Começou ontem a betonagem dos primeiros 45 metros da ponte Ferreirinha. Há mais de 720 metros ainda por betonar. Esta é uma ponte ferroviária que tem como principal objetivo permitir a passagem do metro entre as cidades Porto e Vila Nova de Gaia.
A paisagem do Porto e de Vila Nova de Gaia está a ser portanto redefinida com a construção da nova ponte Ferreirinha, um elemento-chave da Linha Rubi (Linha H) do Metro do Porto. Esta linha, que ligará a Casa da Música, no Porto, a Santo Ovídeo, em Gaia, promete revolucionar a mobilidade na Área Metropolitana do Porto, mas não sem controvérsia.
A obra, financiada em grande parte pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e por fundos europeus, é uma das maiores infraestruturas em construção na região. A nova travessia sobre o Douro, que será a sétima ponte a ligar as duas margens, irá transportar exclusivamente o metro, ciclistas e peões, aliviando a pressão sobre a Ponte Luís I. A inauguração estava prevista para o final de 2026, mas a Metro do Porto reconhece que provavelmente essa não será a data efetiva da inauguração.
artefactos arqueológicos, edifícios históricos e outras controvérsias
Apesar da promessa de maior fluidez no trânsito e de uma alternativa sustentável ao transporte rodoviário, a construção tem gerado alguma polémica. Entre as principais preocupações levantadas pelas populações locais estão o impacto visual da estrutura no Cais de Gaia, que poderá alterar a vista icónica da ribeira, e os alegados danos em edifícios históricos causados pelas obras. Moradores e comerciantes temem que a grandiosidade do projeto ofusque a paisagem cultural e arquitetónica da zona, um dos maiores atrativos turísticos da região. As autoridades do Metro do Porto têm assegurado que as medidas de mitigação estão a ser implementadas para minimizar os impactos e preservar o património.
data para a inauguração ainda é incerta
Durante a construção dos alicerces junto à rua do Cavaco em Vila Nova de Gaia, foram encontrados vários artefactos antigos da era romana e não só, que por várias vezes obrigaram a paragens nas escavações para a construção desses mesmos alicerces.
Entre os achados mais notáveis estão estruturas e cerâmicas romanas, que indicam uma presença consolidada nesta margem do Douro. A par destas, foram desenterrados vestígios da Idade Média, incluindo cerâmicas e estruturas habitacionais que contam a história da transição e da evolução da ocupação do território. As descobertas, que se estendem até ao período contemporâneo, fornecem uma nova perspetiva sobre o crescimento e a importância histórica de Gaia
A situação não é inédita nestas escavações. Também em Massarelos, um dos pontos onde estão a ser construídos alicerces, mas do lado do Porto, ossadas do século XVI foram encontradas, e já a 2 de Agosto de 2024, durante as obras para a linha rosa, no Porto, parte de uma ponte foi encontrada, e em bom estado de conservação. Na altura, o engenheiro responsável pelo traçado da linha circular da Metro do Porto, Pedro Lé Costa, disse ao “Porto Canal”: “É uma ponte medieval que servia de ligação e de acesso ao Porto e que não estava previsto ter resistido durante a expansão da cidade”
Sobre a linha Rubi, as paragens que foram necessárias para recolha deste material arqueológico, atrasaram significativamente a conclusão da obra, mas a data de inauguração é ainda incerta. Certo é que alguns alívios no trânsito, como reaberturas de vias, previstos para Julho e Agosto de 2025 em Vila Nova de Gaia, não se confirmaram, o que perturba não só o trânsito, mas o normal funcionamento do comércio local envolvente.
a betonagem e as caraterísticas da ponte
A ponte Ferreirinha, 7ª ponte sobre o rio Douro, é uma ponte do tipo pórtico. Fica a aproximadamente 70 metros acima do nível do rio e tem um vão aproximado a 400m, com 835 metros de cumprimento.
Os principais apoios/pilares da ponte situam-se, em Vila Nova de Gaia, por detrás do Armazém da Arrozeira, e no Porto, no Campo Alegre. Neste caso houve um desvio face ao projeto inicial, para permitir a passagem do elétrico na Rua do Ouro.
Em Gaia, as estações previstas são Santo Ovídio, Soares dos Reis, Devesas, Rotunda, Candal e Arrábida, e no Porto são Campo Alegre e Casa da Música.
O método construtivo adotado é o de consola sucessiva equilibrada com suspensão por tirantes provisórios e torres temporárias para evitar a colocação de apoios intermédios no rio Douro ou interferências no canal de navegação. Isto significa que a ponte não é construída de uma só vez, mas sim em segmentos, que são betonados de forma alternada, para manter o equilíbrio da estrutura durante a construção.
O betão é transportado para o local em camiões-betoneira e, dada a altura e a dimensão da obra, serão utilizadas bombas de betão de alta pressão para o bombear até ao topo da estrutura. As equipas de construção trabalham meticulosamente para assegurar que o betão é vertido de forma contínua em cada segmento, de modo a evitar a formação de "juntas frias", que podem comprometer a resistência do material. Esta fase é crucial e requer uma coordenação rigorosa para garantir a qualidade e a segurança da ponte. Este mesmo betão deverá permanecer húmido, e protegido de vento e sol, até chegar ao ponto da sua resistência máxima.
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